O fiscal geral do Estado, Emiliano Rolón, reuniu-se em 11 de junho com o presidente do Instituto de Previdência Social (IPS), Isaías Fretes, na Caixa Central da instituição, para tratar de uma dívida de aproximadamente G$ 10 bilhões referente ao aluguel de imóveis ocupados pelo Ministério Público em Assunção.
O encontro, que durou cerca de 15 minutos e aconteceu a portas fechadas, contou também com a participação de Gladys Vera, gerente de Administração e Finanças do IPS, Walter Laguardia, diretor de Auditoria Interna, e Expidio Palacios, diretor de Finanças. O ponto central da reunião foi o imóvel situado sobre a rua Nossa Senhora de Assunção, entre Víctor Haedo e Humaitá, onde funciona a Sede da Procuradoria Geral da República nº 1 e que pertence ao IPS.
Rolón reiterou o compromisso de quitar a dívida e afirmou que buscará os mecanismos necessários para honrar o pagamento no menor tempo possível. O fiscal geral também se comprometeu a cuidar da manutenção e das condições do edifício, que o Ministério Público pretende seguir ocupando nos próximos anos. Os descontos para a regularização deverão ser feitos em parcelas mensais.
Em abril, o próprio Rolón havia confirmado a existência da dívida, atribuindo o atraso à falta de repasses orçamentários, apesar de o montante estar previsto no orçamento. Com a pendência, o Ministério Público se soma a outras empresas públicas e privadas que acumulam débitos com o IPS. O total de dívidas por arrendamento de propriedades do instituto ultrapassa G$ 19 bilhões.
Embora a reunião tenha sido tratada de forma reservada, havia especulação de que o encontro poderia abordar também as investigações conduzidas pelo Ministério Público sobre supostas irregularidades em licitações e outros processos no IPS durante administrações anteriores. A atual diretoria do órgão enviou à Procuradoria cinco denúncias relacionadas a um possível esquema de fraude entre empregadores e trabalhadores, incluindo a suspeita de que funcionários teriam alterado registros em sistemas para ocultar dívidas de contribuições previdenciárias.
Entre os casos em análise está o de Myrian Josefina Ríos, empregadora com dívida superior a G$ 120 milhões, cujos dados teriam sido modificados no sistema institucional. Além disso, os fiscais de Anticorrupção Silvia González e Silvio Corbeta investigam irregularidades em seis licitações realizadas entre 2024 e 2025, durante a gestão de Jorge Brítez à frente do IPS, que teriam causado um prejuízo patrimonial estimado em G$ 391,574 bilhões à previdência, segundo denúncias. A Procuradoria também investiga o ex-diretor jurídico do IPS, José González, por lesão de confiança e enriquecimento ilícito.
O Instituto de Previdência Social (IPS) é a principal entidade responsável pela administração da previdência social no Paraguai, incluindo a gestão de benefícios e contribuições dos trabalhadores e empregadores, o que torna essas investigações relevantes para a governança pública e a estabilidade financeira do sistema.
