A frota de veículos do Paraguai cresceu 139% entre 2014 e 2025, enquanto as vendas de combustíveis aumentaram 80% no mesmo período. Os números foram apresentados pelo vice-ministro de Comércio e Serviços, Alberto Sborovsky, durante o Energías Paraguay 2026, segundo o Última Hora.
Sborovsky afirmou que o Ministério da Indústria e Comércio (Ministerio de Industria y Comercio, MIC) é a autoridade de aplicação da política de combustíveis e hidrocarbonetos por meio de sua Direção-Geral de Combustíveis. Segundo a apresentação, o ministério regula a comercialização e as práticas do setor, mas não fixa os preços de varejo.
A alta de 113% citada para o diesel não coincide com os dados do BCP
A reportagem sobre a apresentação de Sborovsky também afirmou que o preço do diesel havia subido 113% em 2026. Esse número conflita com os dados de preços ao consumidor divulgados no mesmo dia pelo Banco Central del Paraguay (BCP), o banco central paraguaio. A série do índice de preços ao consumidor do BCP, repercutida pelo Última Hora na tarde de 2 de outubro, mostra alta acumulada de 33,0% para o diesel comum e de 24,4% para o diesel aditivado. O grupo combustíveis acumula 22,8%.
As publicações disponíveis não esclarecem se os 113% usavam outra base de comparação, foram reproduzidos incorretamente ou eram um dado equivocado na origem. Por isso, Pytagua não trata 113% como aumento comprovado do preço de varejo do diesel.
Biocombustíveis buscam reduzir a dependência de importações
Sborovsky afirmou que o Paraguai importa todo o diesel e não refina combustíveis derivados de petróleo no país. Segundo ele, a mistura atual de biodiesel é de 7%, contra 15% no Brasil e 7,5% na Argentina. Governo e setor privado devem avaliar um possível aumento para 8% a partir de janeiro.
Na gasolina, a apresentação situa a mistura de etanol em 30%, com meta de 32% até 2030. Uma regra recente determina que 50% do etanol usado na mistura provenha da cana-de-açúcar, embora o MIC possa ajustar essa participação em situações de força maior para assegurar o abastecimento.
Os números do setor vêm da apresentação oficial
Sborovsky estimou em cerca de USD 260 milhões por ano a economia de divisas associada à política de biocombustíveis. Citou nove usinas de etanol e três de biodiesel em operação, mais de 76.000 empregos diretos na cadeia e 4,7 milhões de toneladas de matérias-primas nacionais processadas em 2025. Também informou exportações de USD 80 milhões em etanol e USD 34 milhões em biodiesel, além de investimentos acumulados superiores a USD 560 milhões.
Esses valores são declarações do vice-ministro durante o evento, e não uma auditoria independente de toda a cadeia. A mesma distinção vale para sua recomendação de que postos de combustíveis ampliem os serviços e considerem grupos de compras ou centros de distribuição compartilhados para ganhar eficiência logística.
O quadro geral apresentado — forte expansão da frota, maior volume de combustíveis e prioridade política aos biocombustíveis — não é alterado pela discrepância dos 113%. A evolução recente dos preços, porém, deve ser lida pelos dados do BCP: a alta acumulada publicada para o diesel comum é de 33,0%, e não 113%.
