Grupo Dass transfere produção da Argentina para o Paraguai com investimento de US$ 40 milhões

O Grupo Dass, fabricante brasileiro de marcas como Nike, Adidas, Fila, Umbro, Asics e Champion, transferiu sua linha de produção da Argentina para o Paraguai, atraído por incentivos fiscais do Régimen de Maquila. A nova planta, inaugurada em março, recebeu investimento de US$ 40 milhões. Enquanto a fábrica em Coronel Suárez (Buenos Aires) foi fechada, a unidade em Eldorado (Misiones) opera com capacidade reduzida, gerando incertezas entre os trabalhadores.

O Grupo Dass, conglomerado brasileiro responsável pela fabricação de calçados e têxteis para marcas globais como Nike, Adidas, Fila, Umbro, Asics e Champion, concretizou a transferência de sua maquinaria da Argentina para o Paraguai. A nova planta industrial, instalada sob o Régimen de Maquila, começou a operar em março deste ano, com um investimento inicial de US$ 40 milhões.

A decisão foi motivada por um cenário adverso na Argentina, marcado pela invasão de produtos importados, aumento dos custos operacionais e falta de linhas de crédito acessíveis. A fábrica de Coronel Suárez, na província de Buenos Aires, foi fechada após forte endividamento, e todo o maquinário foi reativado no Paraguai.

O ministro da Indústria e Comércio do Paraguai, Marco Riquelme, participou da cerimônia de abertura e destacou a chegada dos investidores. “Estamos recebendo investidores brasileiros, donos de marcas como Fila e Umbro, além de fabricantes para Nike, Asics e Champion. Hoje vemos as primeiras peças da Fila produzidas no Paraguai”, celebrou o funcionário.

Enquanto a produção cresce no Paraguai, a planta de Eldorado, na província argentina de Misiones, opera com capacidade reduzida. A fábrica, que antes mantinha 60 linhas de produção simultâneas, agora sustenta apenas 15, com foco no ensamblado de calçados. O sindicato Unión de Trabajadores de la Industria del Calzado de la República Argentina (UTICRA), por meio de seu titular Gustavo Melgarejo, afirmou que a empresa descartou o fechamento definitivo da unidade em audiências recentes. “A empresa descartou já nas audiências o fechamento definitivo. Isso seria algo para colocar um pano frio na incerteza que muitas vezes geram as redes sociais”, declarou Melgarejo.

A transferência reflete a atratividade do regime de incentivos fiscais paraguaio e a disponibilidade de mão de obra local, enquanto a indústria argentina enfrenta desafios estruturais.