O governo de Santiago Peña utilizou a Copa do Mundo como oportunidade para direcionar recursos públicos a veículos de comunicação alinhados ao Executivo, segundo denúncias da senadora Yolanda Paredes. A campanha "Somos Paraguaio, Somos Gigantes", coordenada pelo Ministério de Tecnologias da Informação e Comunicação (Mitic), teria concentrado anúncios em canais como Trece, Versus, GEN e Unicanal, pertencentes ao Grupo Vázquez, aliado do governo.
Os recursos, provenientes de Itaipú Binacional e da Entidade Binacional Yacyretá, foram usados para veicular propagandas durante as transmissões dos jogos e em redes sociais. A senadora Paredes classificou como "asqueroso" o descontrole no uso desses fundos, que poderiam ser destinados a áreas como saúde, onde há falta de medicamentos e atendimento precário.
O Grupo Vázquez, através da empresa V Media SA, expandiu recentemente seu conglomerado midiático com a aquisição dos canais Trece e Unicanal, somando-se a jornais e rádios já controlados. A campanha teria começado em abril, antes mesmo do anúncio oficial das aquisições, com inserções em programas esportivos e coberturas do Mundial.
Paredes acusou o governo de usar as binacionais como "caixa pequena" para promover sua imagem, evitando os controles do Orçamento Geral da Nação. Ela também criticou projetos que destinariam 1,5 bilhão de guaranis para influenciadores digitais, enquanto persistem problemas básicos na saúde pública.
O Mitic, liderado pelo ministro Gustavo Villate e pela viceministra Alejandra Duarte Albospino, é apontado como responsável pela execução dos recursos, que estariam sendo geridos de forma pouco transparente, sem publicação dos convênios no site oficial, em violação à Lei de Transparência Ativa.
