O ministro das Tecnologias da Informação e Comunicação (Mitic), Gustavo Villate, forneceu informações falsas ao Congresso Nacional ao negar que a pasta executasse fundos para campanhas de publicidade digital. Documentos obtidos revelam a existência de megaconvênios secretos, com valores que podem chegar a US$ 8 milhões anuais, terceirizados por meio da Fundação Parque Tecnológico Itaipú (PTI-PY).
Em resposta a pedidos de informação dos parlamentares em junho de 2026, o Mitic afirmou não administrar contas publicitárias financiadas com seus recursos para campanhas digitais, alegando que seus vínculos contratuais estavam disponíveis no portal da Direção Nacional de Contratações Públicas. No entanto, a pasta ocultou a execução de ao menos três convênios milionários.
Entre eles estão o Convênio N° 4500073749/2023, intitulado "Apoio a planos comunicacionais para o posicionamento das políticas públicas do Estado paraguaio", sua ampliação em uma "Fase II" (Convênio N° 4500082552/2025), e o Convênio N° 4500082552/2025, rotulado como "Energia do Paraguai: Comunicação estratégica nacional e internacional".
Os termos desses acordos, que exigiam explicitamente o "desenvolvimento de pauta em plataformas digitais", "análise de audiência e segmentação" e a criação de um esquema para pagamento de "influenciadores", contradizem as negativas oficiais. A documentação menciona a empresa Coeficiente SRL, dirigida por Gloria Ocampos Mora, para difusões em Google, YouTube, Meta e anúncios programáticos.
Como responsáveis pela execução foram designadas a viceministra de Comunicações, Alejandra Duarte Albospino, a então diretora de Meios, Guillermina González, e a funcionária María José Cubilla. González renunciou ao cargo no mês passado, após publicações da rede conhecida como La Red Desinformante.