Greve docente expõe crise educacional, críticas a PISA e temor de novas crises bancárias no Paraguai

A greve docente paraguaia marcada para 17 e 18 de setembro contesta o projeto orçamentário de 2027, que exclui reajustes e reivindicações acordadas, enquanto senadoras Blanca Ovelar e Celeste Amarilla divergem sobre as causas da crise educacional, os resultados da avaliação internacional PISA 2025 aplicada a 6.507 estudantes, o programa Ñe’ẽry, que recebeu US$ 12 milhões em 2023, e críticas à formação e à meritocracia, ao mesmo tempo que Amarilla teme o retorno de crises bancárias e cita Banco Atlas e Ueno, banco digital paraguaio.

Greve docente expõe crise educacional, críticas a PISA e temor de novas crises bancárias no Paraguai

O Senado paraguaio debateu a crise da educação pública enquanto sindicatos de professores mantêm uma greve nacional anunciada para 17 e 18 de setembro. A paralisação foi convocada após o projeto do Orçamento Geral da Nação para 2027 excluir reajustes salariais e reivindicações históricas previamente acordadas entre o governo e as organizações docentes.

Os sindicatos defendem a implementação gradual de um piso de 5 milhões de guaranis por turno para professores do ensino fundamental, além de ajustes proporcionais para docentes de disciplinas e diretores. A discussão salarial ocorre em meio ao debate sobre os resultados do Programa para a Avaliação Internacional dos Estudantes (PISA), aplicado digitalmente em 2025 a 6.507 estudantes de 15 anos. As informações divulgadas sobre a avaliação indicam piora do desempenho paraguaio em relação a 2022, embora os materiais disponíveis não detalhem todas as áreas afetadas.

A senadora Blanca Ovelar, do Partido Colorado (ANR), ex-ministra da Educação durante o governo de Nicanor Duarte Frutos (2003-2007), afirmou que o sistema hoje dispõe de mais recursos do que há duas décadas, mas continua abaixo da média latino-americana. Ela citou absenteísmo escolar de 59% e bullying de 27,7%, além de questionar a formação docente e a qualidade das universidades autorizadas pelo Congresso. Também comparou o Paraguai com países como Chile e Uruguai e mencionou a existência de títulos de baixa qualidade, chamados de “títulos de garagem”.

Celeste Amarilla, senadora do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), respondeu que Ovelar também fazia parte da trajetória que produziu a crise. “A senhora também fez parte disso”, afirmou, lembrando que um estudante que tinha seis anos ao fim da gestão de Ovelar hoje estaria na faixa dos 20 e tantos anos. A avaliação de 2025, portanto, mede resultados atuais, mas envolve gerações formadas sob diferentes administrações do Ministério da Educação e Ciências.

Em entrevista à emissora ABC Cardinal, Amarilla voltou a chamar parte dos professores de “burros”, dizendo que repetia essa crítica havia oito anos. A declaração é uma avaliação política da senadora, não uma caracterização comprovada de toda a categoria. Ela também defendeu maior meritocracia no ensino e comparou as exigências feitas a médicos com as aplicadas a docentes. Em sua argumentação, afirmou que deficiências de leitura podem impedir estudantes de seguir carreiras como medicina e citou casos de jovens que acabam buscando alternativas profissionais em Pedro Juan Caballero.

A senadora criticou ainda os resultados do programa Ñe’ẽry, voltado à leitura, à escrita e à oralidade, que recebeu investimento de US$ 12 milhões em 2023. Amarilla questionou quantos livros teriam sido lidos por alunos e professores após a iniciativa. Ovelar, por sua vez, concentrou-se em falhas institucionais, na formação profissional, no absenteísmo e no bullying. As duas abordagens expõem uma disputa entre responsabilizar políticas e administrações específicas e tratar o problema como resultado acumulado de deficiências do sistema.

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Fontes (4)

Atualizado: 11 de set. de 2026, 01:00