Greve médica paralisa consultas e cirurgias no Paraguai e amplia pressão por acordo salarial

A greve nacional dos médicos paraguaios suspendeu consultas e cirurgias não urgentes pelo segundo dia, enquanto o Sinamed exige reajuste salarial, estabilidade e melhores condições, e governo e Congresso tentam negociar diante de restrições orçamentárias.

Greve médica paralisa consultas e cirurgias no Paraguai e amplia pressão por acordo salarial

A greve nacional dos médicos chegou ao segundo dia nesta terça-feira (25), com protestos nas imediações da Conmebol, em Luque, e uma disputa ainda sem acordo sobre salários, estabilidade e financiamento da saúde pública. O Sindicato Nacional dos Médicos (Sinamed) mantém a paralisação inicialmente prevista até sexta-feira (28) e ameaça prolongá-la por tempo indeterminado.

A mobilização coincidiu com a participação do presidente Santiago Peña na abertura do Encontro de Protagonistas Paraguai 2026, diante de empresários e convidados internacionais. Os médicos tentaram chamar a atenção do chefe de Estado, mas não houve reunião com o presidente. A área do evento foi cercada por grades e policiais; a dirigente Rosanna González acusou agentes de tentar esconder cartazes, alegação que não foi corroborada de forma independente.

Depois de Luque, os manifestantes seguiram ao Panteão Nacional dos Heróis para uma homenagem e foram ao Congresso. Nesta quarta-feira (26), às 9h, representantes do Sinamed devem se reunir formalmente com Raúl Latorre, presidente da Câmara dos Deputados, e líderes das bancadas. O Senado também convocou para quinta-feira (27), às 9h, a ministra da Saúde Pública, María Teresa Barán, o ministro da Economia e Finanças, Óscar Lovera, e a vice-ministra de Capital Humano, Andrea Picaso.

Os médicos reivindicam um reajuste de cerca de G. 3 milhões por vínculo, para chegar a uma renda próxima de G. 8 milhões, pagamento em dobro pelos feriados trabalhados, melhores condições nos hospitais e a nomeação de profissionais contratados. Há divergência entre os números apresentados para esse grupo: o Ministério da Saúde informa 12.226 médicos e mais de 24 mil vínculos, enquanto representantes sindicais mencionam milhares de contratados e, em uma das estimativas, até 9 mil profissionais nessa situação.

O governo calcula que o aumento custaria entre US$ 120 milhões e US$ 150 milhões por ano. Barán defende uma carreira sanitária, com progressão vinculada à formação e à especialização, e afirma que o orçamento anual da pasta é de aproximadamente US$ 1,4 bilhão, contra uma necessidade ideal estimada em US$ 2,2 bilhões. A ministra também cita a proposta de regularização de 2.390 contratados e mais de 11 mil novos vínculos autorizados, medidas que o sindicato considera insuficientes sem aumento imediato.

A divergência alcança o Partido Colorado (ANR). Silvio Ovelar afirma que o Estado não pode “dar o que não tem” e prioriza dívidas com medicamentos, enquanto Carlos Núñez e Blanca Ovelar demonstraram apoio às reivindicações. O deputado Hugo Meza defendeu uma solução gradual no Orçamento de 2027, e Rodrigo Gamarra pediu uma recomposição sustentável, alertando que uma paralisação prolongada prejudica pacientes que aguardam consultas, cirurgias e tratamentos.

Barán sustenta ainda que a legislação do serviço público não prevê greve sem prazo definido e que o governo avalia o tema com o Ministério do Trabalho, Emprego e Segurança Social. Ela afirma que o diálogo continua aberto; os médicos, por sua vez, dizem que as reuniões anteriores não apresentaram uma proposta concreta. Enquanto isso, consultas ambulatoriais e cirurgias não urgentes permanecem suspensas na rede pública, que reúne mais de 1.500 unidades.

As mobilizações também expuseram a crise de medicamentos, insumos e equipamentos relatada em hospitais de diferentes departamentos. A consequência imediata recai sobre os usuários do sistema público, especialmente pacientes que dependem de atendimento gratuito e já enfrentam longas esperas para consultas e procedimentos.

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Fontes (26)

Atualizado: 26 de ago. de 2026, 01:00