Paraguai debate elevar impostos para financiar a saúde durante greve de médicos

Em meio à greve nacional de médicos, o Paraguai debate elevar impostos sobre tabaco e outros tributos para financiar a saúde, enquanto economistas e empresários defendem melhorar a gestão pública, reduzir desperdícios e preservar a previsibilidade para evitar impactos sobre investimentos.

Paraguai debate elevar impostos para financiar a saúde durante greve de médicos

O Paraguai discute alternativas para ampliar o financiamento da saúde pública em meio à greve nacional de médicos, convocada pelo Sinamed de 24 a 28 de agosto de 2026. As propostas vão de uma elevação seletiva sobre o tabaco a mudanças no IVA e nos impostos de renda, enquanto economistas e empresários defendem que qualquer aumento venha acompanhado de melhor gestão do gasto público.

O senador liberal Líder Amarilla propôs concentrar a alta em produtos associados a danos à saúde, sem elevar tributos que atinjam indistintamente os consumidores. Ele sugeriu elevar de 22% para uma faixa entre 44% e 50% a carga sobre cigarros. Amarilla afirmou que a arrecadação adicional poderia financiar o tratamento de doenças relacionadas ao tabagismo e criticou a fiscalização sobre as empresas do setor.

O senador também condicionou uma reforma tributária mais ampla a controles mais rigorosos sobre as despesas públicas. Como exemplo de possível ineficiência, questionou o custo projetado para a recuperação da avenida Avelino Martínez, em San Lorenzo, que considerou desproporcional.

Na Câmara dos Deputados, Diosnel Aguilera, do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), apoiou o aumento do Imposto Seletivo ao Consumo sobre tabaco, grãos e grandes fortunas, mas rejeitou elevar o Imposto de Renda Pessoal. Para ele, essa opção transferiria aos mais pobres o custo do Estado. O deputado também criticou o presidente Santiago Peña por participar de uma etapa de rali enquanto os médicos mantinham mobilizações, e associou a greve à falta de salários adequados, infraestrutura, equipamentos, medicamentos e insumos.

O senador governista Silvio “Beto” Ovelar recolocou no centro da discussão o modelo conhecido como “10-10-10”, baseado em alíquotas de 10% para o IVA, o Imposto de Renda Empresarial e o Imposto de Renda Pessoal. Em uma reunião com autoridades, parlamentares e representantes médicos, mencionou elevar o IVA para 12% ou o imposto empresarial para 15%, sob o argumento de que os contribuintes com maior renda deveriam pagar mais.

O economista Jorge Garicoche advertiu que aumentar a arrecadação sem mudar a forma como o Estado utiliza os recursos seria apenas uma solução temporária. Ele defendeu uma reforma das finanças públicas, uma nova lei de responsabilidade fiscal com conselheiros fiscais atuantes e a revisão das isenções tributárias. Também incluiu na agenda uma reforma de todo o sistema previdenciário, e não apenas da Caixa Fiscal ou do Instituto de Previsão Social, além de investimentos em capital humano, especialmente educação e saúde.

Garicoche ressaltou que hospitais precisam ser planejados junto com equipes, condições de trabalho, manutenção e insumos. “Eu quero que, quando minhas filhas forem consultar com o pediatra, o pediatra tenha todas as luzes acesas e não venha de 18 horas de plantão”, afirmou, ao defender a qualidade do atendimento como objetivo das políticas públicas.

Ricardo Dos Santos, presidente da Câmara Nacional de Comércio e Serviços do Paraguai (CNCSP), alertou que mudanças frequentes no sistema tributário podem reduzir a previsibilidade e afastar investimentos. Ele citou a baixa formalização — o Ministério da Economia e Finanças estima que apenas 30% dos trabalhadores estejam no setor formal — e defendeu racionalizar contratações, combater desperdícios e direcionar recursos para infraestrutura, produtividade e formalização antes de elevar impostos.

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Fontes (4)

Atualizado: 29 de ago. de 2026, 01:00