Hernán Rivas assinou eletronicamente 31 resoluções do Júri de Julgamento de Magistrados (JEM) depois de deixar o órgão em outubro de 2023; 15 delas foram assinadas quando seu substituto, Derlis Maidana, já havia tomado posse. As decisões, porém, haviam sido votadas antes da saída de Rivas: a diferença está no momento em que as assinaturas foram registradas, não na participação dele nas sessões.
O Senado aceitou a licença de Rivas em 25 de outubro de 2023 e designou Maidana para a vaga, que tomou posse no JEM em 31 de outubro. Rivas assinou 16 resoluções em 26 de outubro, duas em 8 de novembro e outras 13 em 20 de dezembro. O intervalo entre a decisão e a coleta de todas as assinaturas podia chegar a meses, e os registros indicam que as resoluções recebiam numeração antes da conclusão desse trâmite.
Uma das decisões assinadas posteriormente, a resolução 142/2023, arquivou em 10 de outubro antecedentes de causas relacionadas a Ramón González Daher, processado por lavagem de dinheiro. O documento foi aberto para assinatura em 27 de outubro. Rivas assinou por último, em 20 de dezembro, depois dos outros seis signatários, que haviam assinado entre 2 e 15 de novembro.
Também em 20 de dezembro, Rivas assinou primeiro o auto interlocutório nº 85/2023, que rejeitou uma acusação contra o desembargador Neri Villalba. A decisão era de 27 de junho; o documento só recebeu a última assinatura em 8 de março de 2024. Não há regra publicada que esclareça o procedimento quando um integrante deixa o cargo antes de assinar uma resolução.
O debate sobre as assinaturas se soma ao exame das posições de Rivas em processos disciplinares. Entre 2020 e 2023, ele votou pelo arquivamento de acusações contra o juiz Marino Méndez, de Ciudad del Este, em casos que incluíam decisões sobre a renúncia da então prefeita Sandra McLeod e restrições a publicações jornalísticas. Rivas ficou em minoria, mas, sem os cinco votos necessários para abrir o processo, as denúncias foram desestimadas.
Em setembro de 2021, Rivas também propôs arquivar acusações contra o juiz Carlos Alberto Lezcano, de Villa Hayes, por decisões que liberaram cargas de ferro apreendidas em controles aduaneiros; o plenário aprovou a proposta por unanimidade. No caso da promotora Gladys Estela González Falcón, irmã de Óscar González Daher, Rivas primeiro votou pela destituição e depois apoiou uma advertência, sanção mais branda. Levantamento citado nas reportagens contabiliza 42 expedientes contra magistrados arquivados com o voto dele.
O JEM é o órgão paraguaio responsável por julgar magistrados e pode aplicar sanções, inclusive a destituição. A instituição avalia desde junho possíveis efeitos da condenação de Rivas sobre decisões das quais participou; o senador Mario Varela afirmou que o órgão aguarda o trânsito em julgado da sentença antes de agir.
