Japão e Mercosur iniciaram formalmente as negociações para um Acordo de Associação Econômica (AAE), equivalente a um tratado de livre comércio, conforme anunciado durante a Cúpula do G7 em Évian-les-Bains, França. O anúncio foi feito pela primeira-ministra japonesa, Takaichi Sanae, e pelo presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que destacaram a expectativa de alcançar um acordo mutuamente benéfico para fortalecer as relações econômicas bilaterais.
O início oficial das negociações está previsto para o final de junho, em Assunção, durante a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosur e Estados Associados, sob a presidência pro tempore do Paraguai. Este avanço é resultado do Marco de Associação Estratégica firmado em dezembro de 2025, que ampliou a cooperação em comércio, investimentos, transição energética e segurança econômica entre o bloco regional e o Japão.
Durante o primeiro semestre de 2026, as delegações do Mercosur e do Japão realizaram reuniões intensas para discutir uma ampla agenda que inclui comércio, investimentos e análise do contexto internacional. As negociações focarão na redução de tarifas para automóveis japoneses e na diversificação das fontes de fornecimento de petróleo e minerais críticos para o Japão, que atualmente depende em cerca de 90% das importações de petróleo do Oriente Médio.
O comércio bilateral atual é caracterizado pela exportação de produtos agroalimentares e matérias-primas da América do Sul para o Japão, enquanto o país asiático exporta manufaturas, insumos industriais e bens de alta tecnologia para o Mercosur. Além disso, os investimentos japoneses têm grande importância na região, especialmente nos setores automotivo, energético, logístico e de inovação, áreas que deverão ser fortalecidas e protegidas juridicamente pelo novo acordo.
O presidente Lula da Silva expressou otimismo sobre as negociações, afirmando que podem começar ainda neste mês e que espera boas notícias na próxima cúpula do Mercosur. O acordo representa um passo importante para consolidar um comércio mais dinâmico, previsível e vantajoso para ambas as regiões, estreitando os laços entre a América do Sul e a Ásia-Pacífico.
