O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu a necessidade de manter as Forças Armadas bem equipadas como uma ferramenta de dissuasão em um cenário internacional de crescente incerteza. Durante uma visita à empresa de defesa Avibras, em São Paulo, na sexta-feira, Lula recorreu a um episódio histórico para justificar os investimentos militares, afirmando que a Guerra da Tríplice Aliança começou quando "o Paraguai decidiu invadir o Brasil", citando também incursões no Uruguai e na Argentina.
As declarações do mandatário brasileiro, que ocorrem em meio ao processo eleitoral no país, geraram uma resposta imediata do historiador paraguaios Fabián Chamorro. Ele classificou a fala de Lula como contendo "meias-verdades" e afirmou que a interpretação está "um pouco dispersa e confusa". Chamorro argumentou que o conflito não pode ser analisado sem considerar o contexto anterior, destacando que o estopim foi a intervenção militar do Brasil no Uruguai, que derrubou um governo constitucional uruguayo.
O historiador também comentou sobre as diferentes visões historiográficas, observando que há uma convergência maior entre pesquisadores paraguaios, argentinos e uruguaios sobre as causas da guerra, uma perspectiva que, segundo ele, não é compartilhada no Brasil devido a suas "ânsias de imperialismo". Enquanto isso, a Secretaria Nacional de Cultura do Paraguai sustenta que a guerra foi desencadeada pela intervenção brasileira no Uruguai.
Em seu discurso, Lula insistiu que o Brasil não busca confrontos, mas precisa de um sistema de defesa sólido para proteger sua soberania e um território de mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados. Ele comparou a importância das Forças Armadas à fé religiosa, argumentando que sua relevância é plenamente reconhecida apenas em situações de crise.
