O Ministério da Economia e Finanças do Paraguai (MEF) colocou G. 230,527 bilhões em títulos do Tesouro em 23 de setembro, ao custo de juros menor que nas operações anteriores. O resultado, porém, veio acompanhado do menor volume de emissão entre as quatro operações locais analisadas em 2026, o que limita o alcance da redução das taxas.
Os rendimentos dos títulos com vencimento em 2035 caíram de 9% em julho para 8,70% em setembro; em abril, haviam sido de 8,90%, e, em junho, de 9,10%. Para os papéis com vencimento em 2030, a taxa recuou de 8,50% em julho para 8,26% em setembro. As quedas foram de 30 e 24 pontos-base, respectivamente.
A emissão de setembro ficou abaixo das realizadas em abril, de G. 698 bilhões; junho, de G. 974,35 bilhões; e julho, de G. 360,548 bilhões. Juntas, as quatro operações somaram G. 2,263 trilhões. A demanda pelos papéis de setembro chegou a G. 906 bilhões, quase quatro vezes o valor adjudicado, mas a proporção elevada não indica, por si só, quanto os investidores aceitariam comprar se o governo oferecesse um volume maior.
O economista Arnold Benítez avaliou que a redução dos juros é favorável ao financiamento em guaranis, mas alertou que uma operação pequena dá evidência limitada sobre o custo de captar recursos em escala maior. Com uma oferta menor, o Tesouro também teve mais margem para escolher as propostas consideradas mais vantajosas.
Uma mudança nas regras de liquidez bancária pode sustentar parte da procura. O índice de cobertura de liquidez, conhecido pela sigla LCR, exige que os bancos mantenham ativos suficientes para cobrir saídas líquidas de caixa durante 30 dias de estresse. O mínimo, atualmente em 70%, subirá para 90% em novembro e chegará a 100% em março de 2027. Títulos do Tesouro elegíveis contam integralmente pelo valor de mercado como ativos de nível 1, permitindo que bancos obtenham rendimento e, ao mesmo tempo, cumpram a exigência regulatória.
Benítez também apontou que o financiamento a fornecedores por cessão de direitos de cobrança compete pelo espaço financeiro dos bancos. O MEF informou autorizações de G. 2,388 trilhões ligadas à compra de medicamentos em 2025, envolvendo 39 fornecedores e cinco bancos, com pagamentos distribuídos em 36 parcelas. O valor supera o total emitido em títulos locais nas quatro operações analisadas; o efeito sobre futuras compras dependerá da liquidez e do tratamento regulatório dessas operações.
O projeto do Orçamento Geral da Nação para 2027 prevê emissões equivalentes a US$ 2,1 bilhões e déficit de até 3,9% do Produto Interno Bruto, mas ambos os valores dependem de aprovação legislativa. Benítez ressalvou que não se pode presumir que todo o financiamento será captado no mercado local: a distribuição entre mercados, moedas e prazos determinará a pressão sobre os juros. Ele defendeu maior previsibilidade dos volumes locais e um calendário de emissões idealmente mensal.
