Mais de 60% das microempresas no Paraguai recorrem a agiotas ou credores informais para financiar seus negócios, segundo alerta do Ministério da Indústria e Comércio (MIC). O viceministro de Mipymes, Gustavo Giménez, revelou que as taxas de juros desses empréstimos podem superar 10% ao mês, o que anualmente representa um custo exorbitante para os pequenos empreendedores.
Durante o painel "Mais ferramentas para a competitividade", realizado na 2ª Convenção Bancária do Paraguai 2026 no Centro de Convenções do Sheraton Assunção Hotel, o acesso ao financiamento foi apontado como um dos principais obstáculos para as micro, pequenas e médias empresas. "Como podemos pretender ser competitivos com taxas de até 300% ao ano? Impossível", questionou Giménez.
O viceministro defende que a formalização é um caminho fundamental para que as Mipymes acessem condições financeiras mais favoráveis. Entre as medidas propostas estão o desenvolvimento de contas bancárias empresariais, linhas de crédito específicas, cartões para Mipymes e a ampliação do acesso a contas em cooperativas de crédito para empresas constituídas como pessoas jurídicas.
Uma das iniciativas concretas anunciadas é o "Adelanta", um mecanismo de factoring que permitirá às empresas converterem suas faturas em liquidez rapidamente. A primeira fase do projeto será direcionada a empresas que vendem para o programa Hambre Cero, com o objetivo de que os recursos estejam disponíveis em até 48 horas. A intenção é posteriormente estender o mecanismo para fornecedores de supermercados e grandes empresas.
Giménez destacou que a dificuldade de acesso a crédito também impacta a capacidade de crescimento das empresas. Os dados apresentados mostram que a taxa de transição de micro para pequena empresa não supera 3%, e de pequena para média empresa fica abaixo de 6%.
Além do factoring, o MIC trabalha em outras frentes, como garantias mobiliárias, crowdfunding, sociedades de garantia recíproca, reforma da lei de factoring e mecanismos de segunda chance para empresas em situação de insolvência.
Outro projeto em andamento visa reduzir o custo da firma eletrônica para as Mipymes. O MIC negocia com provedores de serviços de confiança um pacote que inclua a firma eletrônica e ferramentas tecnológicas, com o objetivo de facilitar a adoção de contratos digitais, factoring e pagarés eletrônicos. A previsão é que o produto esteja disponível entre outubro e novembro deste ano.
