Miguel Almirón é expulso no Mundial de 2026 por tapar a boca; Bellingham não é punido por gesto idêntico

Miguel Almirón foi expulso no Mundial de 2026 por tapar a boca em momento de tensão contra a Turquia, enquanto Jude Bellingham não foi punido por gesto idêntico em conversa amistosa contra a Ghana, reacendendo o debate sobre a aplicação da regra da FIFA.

Miguel Almirón é expulso no Mundial de 2026 por tapar a boca; Bellingham não é punido por gesto idêntico
Ilustração gerada por IA.

A polêmica em torno da nova regra da FIFA que pune o gesto de tapar a boca em campo voltou ao centro do debate depois de dois casos opostos no Mundial de 2026: a expulsão do paraguaio Miguel Almirón e a ausência de punição do inglês Jude Bellingham, que repetiu gesto semelhante.

Almirón foi o primeiro jogador a ser expulso sob essa normativa, no jogo do Paraguai contra a Turquia. O árbitro salvadorenho Iván Barton mostrou o cartão vermelho direto após revisar a ação: "Depois da revisão. Número 10. Paraguai. Se tapou a boca. A decisão é: vermelha direta!". O volante paraguaio cumpre suspensão de uma data e fica de fora do duelo decisivo contra a Austrália, provavelmente decisivo para avançar às oitavas de final.

Dias depois, no empate sem gols entre Inglaterra e Ghana em Boston, Bellingham foi flagrado pelas câmaras conversando com o ganês Jordan Ayew enquanto tapava a boca. O árbitro Said Martínez analisou a jogada com o VAR e decidiu não intervir: sem cartões e sem consequências disciplinares para o jogador inglês, que foi inclusive o melhor em campo na partida.

A comparação reacendeu o debate sobre a chamada "Lei Vinicius", regra aprovada em 28 de abril de 2026 pela FIFA e a IFAB para tentar evitar que insultos ou expressões discriminatórias fiquem impossíveis de verificar quando os jogadores cobrem a boca. A medida foi impulsionada pelo presidente Gianni Infantino após o caso do extremo do Benfica Gianluca Prestianni, suspenso por seis jogos por conduta homófoba contra Vinícius Júnior na Champions League.

O presidente da FIFA reforçou a importância da regra: "Isso de tapar a boca é uma regra muito, muito importante para nós. Trata-se de respeito. Trata-se do exemplo que devemos dar. Se não tem nada que esconde, não tapa a boca ao falar com alguém. As regras foram explicadas com muita clareza a todos."

A chave, porém, não está no gesto em si, mas no contexto. O chefe de arbitragem da FIFA, Pierluigi Collina, havia explicado antes do torneio que os jogadores podem continuar tapando a boca ao conversar com companheiros ou em conversas amistosas. O problema surge quando o contexto é de agressividade: "Quando a conversa é agressiva, tapar a boca significa que está cometendo uma falta grave, potencialmente, e a sanção é o cartão vermelho".

No caso de Almirón, o jogo atravessava um momento de tensão máxima, com uma confusão generalizada entre as equipes depois que Isidro Pitta caiu ao reclamar uma entrada de Ismail Yuksek. Já no episódio envolvendo Bellingham, as imagens mostravam apenas dois jogadores conversando, sem hostilidade visível.

A diferença de critério, no entanto, levanta dúvidas sobre a aplicação uniforme da regra. A própria norma é de adoção opcional e, por enquanto, vigente apenas nesta Copa do Mundo. A dificuldade de padronizar as decisões e o risco de que jogadores usem a regra estrategicamente para provocar expulsões de rivais tornam improvável que as ligas nacionais a adotem no curto prazo.

Desde o Paraguai, a pergunta permanece: se o gesto foi o mesmo, por que a sanção foi diferente?

Fontes (2)

Atualizado: 25 de jun. de 2026, 08:11