Paraguai vê oportunidade histórica com veto da União Europeia à carne brasileira

O veto da União Europeia à importação de carne brasileira abre uma oportunidade histórica para o Paraguai em um cenário global de oferta inferior à demanda, avalia o especialista Marcos Medina.

Paraguai vê oportunidade histórica com veto da União Europeia à carne brasileira
Ilustração gerada por IA.

O veto da União Europeia às importações de carne brasileira está redesenhando o mercado global de proteínas e abrindo uma oportunidade histórica para o Paraguai, avalia o ex-ministro da Agricultura e Pecuária e especialista em agronegócio Marcos Medina.

Segundo Medina, o mercado internacional vive uma situação inédita, com cerca de 30 meses consecutivos de oferta de carne bovina inferior à demanda, o que sustenta uma tendência prolongada de alta de preços. "Nunca antes tivemos uma situação em que a oferta não satisfaz a demanda por tanto tempo. Estamos diante de uma das maiores oportunidades para os países produtores de alimentos", afirmou.

Embora o Brasil enfrente restrições em parte dos mercados — inclusive por questionamentos ligados ao uso de promotores de crescimento —, Medina pondera que existe um componente de concorrência dentro do Mercosul, mas o déficit global de carne reduz o impacto da ausência temporária de um grande fornecedor. Ele recomendou cautela quanto às próximas decisões da União Europeia, considerando o peso produtivo e diplomático brasileiro, e lembrou que as exigências europeias envolvem critérios sanitários, ambientais, de inocuidade alimentar e também mecanismos de proteção aos produtores locais. "Cada mercado é soberano para estabelecer suas condições de acesso. Se quisermos vender à Europa, temos de cumprir seus requisitos", disse.

Medina destacou que, em pouco mais de duas décadas, o Paraguai construiu uma reputação sólida como fornecedor de carne bovina de qualidade e passou de praticamente desconhecido no mercado global a um dos principais exportadores do setor. Para ele, o país agora precisa avançar na valorização do produto, explorando atributos diferenciais como a produção a pasto, a céu aberto e com baixo uso de antibióticos.

Sobre os desafios internos, o especialista apontou que o principal gargalo está nos pequenos e médios produtores, onde persistem lacunas tecnológicas importantes. Enquanto as propriedades mais tecnificadas já têm o caminho da eficiência produtiva, grande parte do rebanho nacional ainda é manejado em sistemas de baixa produtividade. "Falta uma ponte entre a pecuária tecnificada e a menos desenvolvida. Aí há um enorme potencial para aumentar a produção nacional", afirmou.

Ao comentar o debate sobre um eventual fim da vacinação contra a febre aftosa, Medina foi enfático: qualquer decisão precisa de consenso entre todos os elos da cadeia produtiva. "Enquanto todos os atores não estiverem de acordo, não se deveria avançar na suspensão da vacinação", declarou. Embora reconheça que o Paraguai tem condições técnicas e sanitárias para discutir o tema, advertiu que uma medida precipitada poderia gerar incerteza no setor.

Por fim, defendeu a manutenção da articulação público-privada que, ao seu permitiu ao país alcançar o atual status sanitário e consolidar-se como fornecedor confiável de carne nos mercados internacionais.

Fontes (1)

Atualizado: 25 de jun. de 2026, 08:11