O Ministério Público do Paraguai apresentou nesta terça-feira (11) acusação formal contra o ex-ministro de Obras Públicas e Comunicações (MOPC), Arnoldo Wiens, pedindo que o caso do fracassado projeto Metrobús seja levado a julgamento oral e público. Wiens, que atualmente é pré-candidato à Presidência da República pelo Partido Colorado (ANR), é acusado de lesão de confiança e dano a obras construídas ou meios técnicos de trabalho, com um suposto prejuízo ao Estado estimado em Gs. 14.955.000.000.000.
A acusação, assinada pelos promotores Nathalia Silva, Yeimy Adle e Giovanni Grisetti, sustenta que Wiens, durante sua gestão à frente do MOPC (agosto de 2018 a julho de 2019), tomou decisões administrativas que levaram à paralisação e ao abandono definitivo do projeto de Bus de Trânsito Rápido (BTR). Entre as medidas questionadas está a assinatura do "Ata de Entendimento N.º 2", em outubro de 2018, com a construtora Mota-Engil, que alterou o objeto original da licitação, substituindo a construção da linha troncal por obras de reabilitação do trânsito.
Segundo a denúncia, a mudança resultou na destruição de infraestrutura já executada, como estações, drenagens e calçadas de concreto, cujo custo de construção superou Gs. 6.900.000.000. Além disso, a Fiscalía aponta que a demolição das seis estações do trecho três foi realizada sem o devido relatório técnico prévio, exigido pela Procuradoria-Geral da República para resguardar os interesses do país em um eventual arbitramento internacional. Materiais e resíduos do projeto também teriam sido destinados a locais públicos sem autorização do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), financiador da obra.
O projeto Metrobús, financiado com US$ 125 milhões do BID e US$ 19 milhões do Fundo OFID, foi iniciado em 2016 e previa a construção de um corredor exclusivo para ônibus em uma das principais vias de acesso a Assunção. No entanto, após anos de controvérsias, obras paralisadas e questionamentos sobre o uso de recursos públicos, o projeto foi abandonado. Durante a gestão de Wiens, o MOPC desembolsou cerca de Gs. 180.000.000.000 em certificações de obras, mas a infraestrutura construída acabou inutilizada.
Wiens, que já havia recorrido à Justiça para tentar anular sua imputação, argumenta que decisões judiciais anteriores beneficiaram seu antecessor no cargo, Ramón Jiménez Gaona, ex-ministro durante o governo de Horacio Cartes. A defesa do ex-ministro alega contradição no tratamento processual e busca o arquivamento definitivo da causa, enquanto a Fiscalía insiste na necessidade de um julgamento para apurar as responsabilidades.
Em paralelo, a Unidade Especializada en Delitos Econômicos e Anticorrupção do Ministério Público solicitou agilidade no julgamento de um recurso pendente no caso conhecido como "detergentes de ouro", que envolve o ex-prefeito de Assunção, Óscar Andrés Rodríguez Quiñónez, e outros acusados de lesão de confiança. O pedido foi apresentado ao Tribunal de Apelação em matéria penal, após quase oito meses sem decisão sobre a apelação interposta pela defesa de Edwin López Cattebeke contra uma sentença de novembro de 2025.
