A investigação sobre títulos universitários falsos no Ministério da Educação e Ciências (MEC) do Paraguai já identificou mais de 300 documentos falsificados, com estimativas de que o esquema possa envolver centenas de casos. A promotora Teresa Sosa Laconich, que lidera as investigações pelo Ministério Público, afirmou que o número de diplomas apócrifos sob análise mais do que dobrou desde a denúncia inicial de 145 casos feita pelo MEC em junho.
Segundo a investigação, funcionários do MEC utilizavam esses títulos falsos para obter cargos de alto nível e salários inflados, superiores a 15 milhões de guaranis paraguaios mensais, incluindo bonificações por especializações, mestrados ou doutorados que não possuíam. A promotora destacou que 90% dos diplomas fraudulentos utilizavam o logotipo da Universidad Autónoma de Asunción (UAA), que nega ter emitido os documentos e alega que seus membretes foram utilizados irregularmente por terceiros.
O esquema, que operava há cerca de três décadas, envolvia dois grupos principais: pessoas que pagavam por títulos sem cursar as cargas horárias exigidas e estudantes do interior que, após pagar matrículas e mensalidades em institutos de ensino superior, eram enganados com registros irregulares feitos por meio de universidades. Sosa Laconich explicou que o registro desses títulos no sistema do MEC era feito em tempo recorde, violando resoluções que exigem prazos mínimos de um mês para conclusão do processo, indicando a participação de funcionários internos com acesso privilegiado ao sistema.
O ministro da Educação, Luis Ramírez, denunciou uma possível tentativa de sabotagem no sistema informático do MEC, com a instalação de um "cortador" para impedir a identificação dos endereços IP dos usuários responsáveis pelos registros irregulares. Durante auditorias, foram detectadas cerca de 130.000 transações irregulares no sistema.
Atualmente, 17 instituições de ensino superior, incluindo oito universidades privadas, a Universidad Nacional de Asunción (UNA) e dez institutos de formação docente, estão sob investigação do Conselho Nacional de Educação Superior (Cones). A lista inclui nomes como Universidad Metropolitana de Asunción (UMA), Universidad del Chaco (Unichaco) e Instituto Técnico Superior Privado “Santa Teresita”.
A senadora e ex-ministra da Educação Blanca Ovelar, do Partido Colorado (ANR), defendeu o MEC, argumentando que a responsabilidade pela emissão dos títulos é das universidades e institutos, não do ministério, embora reconheça a necessidade de investigar possíveis falhas de controle interno.
