O Ministério Público do Paraguai apresentou uma imputação formal e solicitou a prisão preventiva dos ex-presidentes do Instituto de Previsão Social (IPS), Vicente Bataglia e Jorge Brítez, além de outros sete ex-funcionários da instituição. Eles são acusados do crime de lesão de confiança em um caso que investiga irregularidades na contratação de obras de quirófanos modulares para o Hospital Central do IPS, que nunca foram concluídas.
O suposto prejuízo patrimonial causado ao IPS é estimado em 61 bilhões de guaranis. O fiscal Julio Ortiz, responsável pela investigação, também pediu o sequestro preventivo de bens dos acusados até o valor do dano e a inibição geral de vender e gravar propriedades.
A investigação teve início com uma denúncia de 2024, baseada em resolução da Direção Nacional de Contratações Públicas (DNCP) que apontou irregularidades em adendas ao contrato de licitação. A obra, licitada em 2019 e adjudicada à empresa Neighpart SA por aproximadamente 53 bilhões de guaranis, enfrentou problemas de execução devido à impossibilidade de liberar a área de trabalho. A acusação sustenta que, em vez de suspender o contrato, os gestores aprovaram adendas e atos de recepção que permitiram pagamentos à contratada por serviços não executados.
Além de Bataglia e Brítez, foram imputados Hugo Enrique Aranda, José Raúl Coronel Acosta, Juan Manuel Villar López, Rosa Colmán, Jaime Joel Caballero Ruiz Díaz, Marcelo Bordón Leiva e Verónica Alexandra Blanco Bogado. O fiscal Ortiz mencionou dificuldades em acessar toda a documentação do caso dentro do próprio IPS, mas expressou confiança de que a imputação facilitará a obtenção dos papéis faltantes.
Em um caso judicial separado, o ex-prefeito de Ciudad del Este e líder do partido Yo Creo, Miguel Prieto, terá de enfrentar julgamento oral no chamado "Caso Tajy". O juiz Humberto Otazú rejeitou os pedidos da defesa e elevou a causa a júri. Prieto é acusado de lesão de confiança por uma suposta compra simulada de insumos para panificados durante a pandemia, causando um prejuízo de cerca de 306 milhões de guaranis à municipalidade. O fiscal Silvio Corbeta afirmou ter provas documentais de que a licitação foi direcionada para beneficiar uma empresa ligada à então companheira de Prieto.
Paralelamente, a crise na oposição paraguaia se aprofundou com novas declarações da senadora Kattya González, que qualificou Miguel Prieto de "mal-agradecido" e "imaturo". O distanciamento entre os dois surgiu após Prieto sinalizar preferência por outro nome para vice-presidente em uma eventual chapa para 2028, relegando González a uma candidatura ao senado.
Em outra frente judicial, uma audiência preliminar foi marcada para o dia 21 de agosto contra o ex-funcionário da Câmara dos Deputados William Bogarín, a advogada Ilse Paredes e José Ljubetic. Eles são acusados de estelionato agravado contra colonos menonitas da região de Río Verde, em San Pedro, por uma quantia de 1,6 milhão de dólares, envolvendo a falsa promessa de venda de 8.000 hectares de terras no Chaco.
