O Paraguai enfrenta uma corrida contra o tempo para evitar uma crise energética prevista para 2030, quando o consumo interno deve atingir o limite total da produção das usinas de Itaipú, Yacyretá e Acaray. O alerta foi feito pelo engenheiro especialista Fabián Cáceres, que criticou a inação do governo e os atrasos nos investimentos da Administração Nacional de Eletricidade (ANDE).
De acordo com Cáceres, o crescimento da demanda e os efeitos das mudanças climáticas, como secas que reduzem a geração hidrelétrica, estão acelerando a chegada desse cenário crítico. Ele destacou que o país não tem nenhuma licitação em andamento para novas unidades geradoras, conforme previa o próprio plano mestre da ANDE, cuja saúde financeira está deteriorada. Além disso, a infraestrutura de transmissão está defasada, incapaz de levar a energia das represas até a região metropolitana, a maior consumidora.
O especialista foi categórico ao avaliar as negociações com o Brasil sobre o Anexo C de Itaipú, classificando a busca por benefícios extraordinários como "uma utopia". Ele argumentou que o momento político ideal para negociar já passou, pois o aumento do consumo paraguaio reduziu a vantagem que o Brasil tinha ao utilizar quase todo o excedente de energia. "Muito provavelmente, no próximo ano, ambos os países usarão partes iguais da produção. Já perdemos o trem", sentenciou.
Paralelamente, na Argentina, um novo movimento busca reativar um projeto binacional que poderia impactar positivamente o sistema elétrico paraguaio. Um deputado da província de Misiones, Martín Arjol, apresentou uma proposta legislativa para convocar um plebiscito sobre a construção da usina hidrelétrica Corpus Christi. O objetivo é reverter a rejeição popular ocorrida em 1996 e avançar com a obra no rio Paraná, no emplazamento Pindo'i, acima de Yacyretá.
O projeto Corpus Christi tem uma potência planejada de 2.880 MW e poderia gerar 10% da energia da Argentina. Se concretizada, essa nova represa fortaleceria a capacidade de geração compartilhada com o Paraguai. O deputado Arjol defende que o cenário energético crítico da região justifica uma nova consulta, argumentando que a situação mudou desde a construção de Yacyretá. No entanto, o projeto enfrenta preocupações de organizações ambientais sobre seu impacto no ecossistema, principalmente no lado argentino.
Enquanto isso, Fabián Cáceres alerta que a janela de oportunidade para o Paraguai se preparar está se fechando. Ele pede ao Poder Executivo a criação de um comando único para centralizar a crise, priorizar projetos e aplicar soluções técnicas urgentes em geração, transmissão e distribuição. "Não há um único segundo a perder. Esta é a última oportunidade que temos; na verdade, a hora era desde ontem", enfatizou, prevendo que soluções de última hora em 2030 terão um custo gigantesco e trarão graves prejuízos ao desenvolvimento do país.
