Paraguaios desaparecem na guerra após recrutamento por promessas de salários altos

Pelo menos cinco paraguaios recrutados por promessas de altos salários estão desaparecidos na guerra entre Rússia e Ucrânia, com o governo denunciando o alistamento como uma nova forma de tráfico de pessoas.

Paraguaios desaparecem na guerra após recrutamento por promessas de salários altos

A falta de oportunidades econômicas e a precariedade financeira estão levando jovens paraguaios a se alistarem como combatentes na guerra entre Rússia e Ucrânia, atraídos por promessas de salários em dólares que podem chegar a dez mil dólares mensais. Pelo menos cinco paraguaios estão oficialmente desaparecidos no conflito, com quatro casos registrados no lado ucraniano e um no lado russo, segundo confirmação da Secretaria de Desenvolvimento para Repatriados e Refugiados Connacionais (Sederrec).

O diretor de Desenvolvimento Humano da Sederrec, Guillermo Osorio, explicou que não há confirmação oficial dos governos da Rússia ou da Ucrânia sobre óbitos, apenas notificações de desaparecimento recebidas pelas famílias. Os protocolos de ambos os países estabelecem um prazo de até um ano para confirmar o paradeiro de um combatente desaparecido antes de declarar o falecimento. Até o momento, nenhum corpo foi repatriado.

Entre os desaparecidos identificados estão Óscar Javier Sánchez, Néstor Adrián Barreto, Derlis Michael Morel, Diego Simeón Martínez e César Parra. O caso de César Parra, de 32 anos, ilustra a trágica realidade por trás dessas promessas. Ele viajou para a Rússia em 8 de março após contrair dívidas para custear a viagem, assinando um contrato de seis meses. Apenas um mês e sete dias depois, sua família foi informada de que ele havia morrido em combate.

O chanceler paraguaios, Rubén Ramírez Lezcano, denunciou que o recrutamento de cidadãos para atuarem como mercenarios constitui uma nova forma de tráfico de pessoas. A declaração foi feita durante o Fórum Nacional de Prevenção, Combate e Atenção ao Tráfico de Pessoas "Paraguai sem Tráfico". Ele destacou que as vítimas são levadas de maneira enganosa para zonas de conflito, onde alguns perdem a vida sem que seus corpos possam ser localizados ou repatriados.

As famílias enfrentam enormes dificuldades para obter informações. Sem uma embaixada paraguaia na Ucrânia, os contatos são feitos através da Embaixada do Paraguai na Alemanha. No caso da Rússia, a embaixada em Moscou é o canal oficial. Osório afirmou que a Sederrec está de portas abertas para auxiliar as famílias, mas que as informações primárias partem do Ministério das Relações Exteriores.

Relatos de familiares descrevem condições extremas no front. Marcial González, que mantinha contato com César Parra, relatou que os combatentes passavam dias sem comida ou água nas trincheiras. González também revelou que seu próprio filho, Isidro, de 28 anos e ex-membro do Regimento de Escolta Presidencial, viajou secretamente há cerca de 20 dias para lutar pela Ucrânia, deixando a família em angústia constante.

O governo paraguaio alerta para a existência de redes não oficiais que recrutam cidadãos, muitas vezes com experiência militar prévia ou em segurança privada. As autoridades reconhecem a dificuldade de fiscalizar a saída desses jovens do país e a falta de controle sobre o cumprimento dos contratos e o pagamento de indenizações prometidas em caso de morte.

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Fontes (3)

Atualizado: 1 de ago. de 2026, 01:31