Paraguai acompanha com atenção o avanço da nova concessão da Hidrovía Paraguay-Paraná, impulsionada pela Argentina, e defende que a implantação de um pedágio sobre a via não represente um aumento de custos para o comércio exterior do país. A hidrovia é a principal saída oceânica para a produção paraguaiamente, por onde escoam exportações de soja, milho, carne, combustíveis e fertilizantes, além de grande parte das importações que abastecem o mercado interno.
O presidente da Administración Nacional de Navegación y Puertos (ANNP), Julio César Vera Cáceres, afirmou que a expectativa é de que a tarifa do pedágio — atualmente em torno de US$ 1,30 por tonelada de registro líquido — se mantenha estável enquanto o processo de concessão é concluído e possa até diminuir quando o contrato definitivo for formalizado. Segundo ele, há fundamentos para acreditar que o custo não subirá, já que um incremento traria prejuízos para todos os países usuários da hidrovia.
Vera Cáceres ressaltou que um eventual aumento do pedágio não afetaria apenas o Paraguai, mas também Brasil e Bolívia, cujos produtos dependem do corredor fluvial para alcançar os mercados internacionais. O objetivo, de acordo com o titular da ANNP, é preservar uma tarifa razonável que mantenha a competitividade do transporte hidroviário em toda a região.
A nova concessionária deverá respaldar qualquer valor cobrado com investimentos concretos em dragagem, balizamento e manutenção da via, de modo que o pedágio corresponda efetivamente aos serviços prestados. A expectativa do governo paraguai é de que o contrato definitivo estabeleça condições claras e previsíveis para todos os usuários, evitando cenários de incerteza como os registrados em anos anteriores.
Para o Paraguai, a previsibilidade tarifária é considerada fundamental, já que grande parte de sua economia depende da navegação fluvial e da competitividade logística frente a outros países exportadores. Com a nova concessão em andamento, o país pretende acompanhar cada etapa do processo, convicto de que o futuro da hidrovia definirá boa parte de sua competitividade nas próximas décadas.
