O governo paraguaio anunciou o desembolso de USD 80 milhões nesta semana para fornecedores de medicamentos, como parte de um plano de redução progressiva da dívida com o setor farmacêutico. O ministro de Economia e Finanças, Óscar Lovera, confirmou o pagamento e lembrou que, em abril, já haviam sido pagos USD 100 milhões ao segmento.
A dívida total com as farmacêuticas gira em torno de USD 1 bilhão. Para lidar com o saldo pendente, o governo desenvolve um instrumento financeiro novo, baseado em factoraje — a cessão de faturas a receber a entidades bancárias. A ideia é que os fornecedores negociem com bancos e recebam liquidez imediata, enquanto o Estado assume o compromisso de pagamento em parcelas.
“Esperamos fechar esta semana, colocar o instrumento à disposição e dar o mês de junho para recebermos a proposta do fornecedor, com base em um acordo que possa alcançar com uma entidade financeira, principalmente bancos”, afirmou o ministro. Ele explicou que o instrumento será considerado um compromisso do Tesouro Nacional e terá operação semelhante à dos títulos do Tesouro, por meio do Banco Central do Paraguai (BCP).
Lovera indicou que, uma vez definido o montante acordado entre credores e bancos, será possível conhecer o saldo restante do passivo estatal. O objetivo é alongar os pagamentos às entidades financeiras para um prazo de 36 meses, já que uma quitação imediata foi considerada inviável.
Paralelamente, o Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC) enfrenta pressão semelhante no setor da construção. Em abril, foram pagos USD 85 milhões por obras, e a projeção para maio é de USD 65 a 70 milhões. A dívida total com construtoras caiu de USD 220 milhões para cerca de USD 190 milhões, mas o valor é dinâmico porque continuam entrando novos certificados mensais por obras em execução, segundo o presidente da CAVIALPA, Paul Sarubbi.
Sarubbi descartou o uso do mecanismo de factoraje se o Estado não cobrir os juros compensatórios. “Com as margens da construção, é inviável pagar três anos de juros bancários. Não vale a pena”, enfatizou. O presidente da CAVIALPA defendeu que o orçamento do MOPC para 2026 — de USD 570 milhões — não é suficiente para cobrir as obras em execução, que requerem cerca de USD 900 milhões, e exigiu uma ampliação orçamentária urgente. “A solução é pagar em dia. Não faz sentido financiar os números macroeconômicos com dívida aos fornecedores, que já não suportam mais”, afirmou.