O Paraguai executou apenas 34,3% dos empréstimos bilaterais oficiais que possui com instituições financeiras de governos estrangeiros, de acordo com dados do Ministério da Economia e Finanças (MEF) referentes a maio de 2026. A carteira total de financiamento externo soma US$ 602,3 milhões, dos quais US$ 206,6 milhões já foram desembolsados. O saldo a ser utilizado é de US$ 395,7 milhões, o que significa que quase dois terços dos recursos contratados ainda não se transformaram em investimento efetivo em obras, bens ou serviços públicos.
O maior empréstimo é do Eximbank, no valor de US$ 200 milhões, destinado ao programa habitacional "Che Róga Porã", executado pela Agência Financeira de Desenvolvimento (AFD). Desse total, apenas US$ 40 milhões (20%) foram desembolsados, tornando-o um dos projetos com menor taxa de execução. Em segundo lugar aparece a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), com US$ 115,7 milhões, que registra um avanço global de 50,8%. No entanto, há disparidades: um projeto da ANDE para expansão do sistema de transmissão de energia tem 95% de execução, enquanto um projeto de água e saneamento para a área metropolitana de Ciudad del Este, a cargo do Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC), avança apenas 5,8%.
O Instituto de Crédito Oficial (ICO) da Espanha financia projetos de água e saneamento com US$ 80 milhões, dos quais 26,4% foram desembolsados. Um programa do Serviço Nacional de Saneamento Ambiental (SENASA) para comunidades rurais e indígenas está 95,3% executado, mas o projeto para a Bacia do Lambaré, também sob responsabilidade do MOPC, apresenta um avanço de apenas 3,5%. O banco alemão KfW, com US$ 75 milhões para uma linha de transmissão elétrica, ainda não registrou nenhum desembolso.
Por outro lado, o Fundo de Cooperação e Desenvolvimento Internacional (ICDF) de Taiwan tem uma execução de 70,3% em um projeto de transmissão de energia. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) do Brasil, associado à aquisição de meios aéreos para defesa, apresenta um avanço de 64,6%, com US$ 65,6 milhões desembolsados de um total de US$ 101,6 milhões.
Os dados revelam que o desafio para o Paraguai não está apenas em captar recursos, mas em melhorar a capacidade de execução dos projetos. A eficiência da gestão pública é crucial para transformar o financiamento disponível em resultados concretos que impactem a infraestrutura e a qualidade de vida da população.
