O governo do Paraguai ainda não definiu a data da primeira licitação da reforma do transporte público, prevista para a Unidade Funcional Leste–Mariscal López. Enquanto equipes técnicas preparam o edital com apoio do Chile, as empresas de ônibus afirmam que o sistema acumula cerca de nove meses sem atualização da tarifa técnica.
A licitação integra a Lei nº 7.617/2026 e deverá abranger o corredor da avenida Mariscal López, em Assunção. A ministra de Obras Públicas e Comunicações (MOPC), Claudia Centurión, havia anunciado o corredor como a primeira unidade a ser concedida, mas o Viceministério de Transportes (VMT) ainda não apresentou um cronograma para o chamado.
Em 3 e 4 de setembro, representantes do VMT, do MOPC, do Ministério da Economia e Finanças, do Banco Nacional de Desenvolvimento e das empresas operadoras participaram de reuniões técnicas com Paola Tapia, ex-ministra de Transportes e Telecomunicações do Chile, e Diego Cruz, especialista financeiro do sistema metropolitano de Santiago. O objetivo foi revisar os componentes técnicos, financeiros e jurídicos do futuro contrato.
A cooperação ocorre por meio de um memorando firmado pelo MOPC e pelo Ministério de Transportes e Telecomunicações do Chile. O intercâmbio inclui planejamento, fiscalização, tecnologia, gestão de dados, segurança viária, sustentabilidade, eletromobilidade e estruturação financeira dos contratos.
Carlos Sauer, assessor técnico do VMT, disse que o Paraguai não pretende importar o modelo chileno. A proposta, segundo ele, é construir um sistema próprio, adaptado à realidade e à legislação paraguaias, aproveitando experiências também da Colômbia e do Uruguai. “É um acordo de intercâmbio técnico, mais do que qualquer outra coisa”, afirmou.
As discussões tratam das responsabilidades de operadores e fornecedores de frota, dos mecanismos de implementação e das regras financeiras que deverão sustentar o novo modelo. Para Sauer, o intercâmbio pode reduzir a curva de aprendizagem e acelerar a transição.
O cronograma, porém, avança em meio à pressão do sistema atual. O Centro de Empresários de Transporte de Passageiros da Área Metropolitana (Cetrapam), presidido por César Ruiz Díaz, informou em ofício de 20 de agosto ao viceministro Emiliano Fernández que há três períodos pendentes de cálculo: janeiro a outubro de 2025; novembro de 2025 a abril de 2026; e maio de 2026 em diante.
A tarifa técnica é usada para definir a remuneração das operadoras e o subsídio público. As empresas alegam que a demora não incorpora mudanças no preço do combustível, o impacto econômico das baldeações e a metodologia da Associação Nacional de Transporte Público, comprometendo recursos para combustível, manutenção, peças, pessoal e renovação da frota.
Em manifestação pública, o sindicato questionou a distância entre a promessa de uma grande reforma e a falta de solução para problemas básicos, como a atualização tarifária e as condições das ruas. A indefinição deixa usuários e operadores sem previsão clara enquanto o governo prepara a primeira etapa do novo sistema.
