O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosur, em vigor desde 1º de maio de 2026, abre acesso com tarifa zero ou preferencial para 95% das exportações paraguaias ao mercado europeu, segundo dados da Cancillería. O tratado é considerado pelo advogado e assessor estratégico Daniel Núñez Martínez como um marco para a economia do país, que passa a se consolidar como plataforma de produção e exportação voltada à Europa.
Para Núñez Martínez, o acordo vai além de um tratado comercial tradicional. "Constitui um reconhecimento internacional a décadas de estabilidade macroeconômica, disciplina fiscal e previsibilidade econômica construídas pelo Paraguai", afirmou. Entre os setores mais beneficiados estão a agroindústria, os biocombustíveis e a produção manufatureira.
O texto inclui regras de origem flexíveis e prazos de adequação que favorecem economias emergentes. O Paraguai obteve cotas exclusivas para produtos como açúcar orgânico, biocombustíveis e carne suína, além de condições de origem que reconhecem a estrutura produtiva real do país. Até 1º de maio, exportar para a Europa significava enfrentar tarifas e barreiras sanitárias sem preferências, competindo em igualdade de condições com produtores que já tinham acesso privilegiado.
O assessor destacou que o Paraguai oferece uma combinação de baixo custo tributário e facilidades logísticas difícil de replicar na região. A carga tributária é reduzida, e o regime de maquila permite que as empresas paguem apenas 1% sobre o valor agregado exportado, com isenção do imposto de renda em operações de exportação. Sob esse regime, as empresas podem incorporar até 45% de insumos de fora do Mercosur e ainda assim exportar para a Europa com preferências tarifárias plenas. No Brasil, a carga corporativa supera 34% apenas em imposto de renda.
"Uma empresa instalada no Paraguai sob o regime de maquila opera com a carga fiscal mais baixa do continente e acessa o mercado europeu com tarifa preferencial. Essa combinação não existe em nenhum outro ponto do mapa sul-americano", afirmou Núñez.
A chegada de capitais europeus já vinha crescendo antes do acordo. A União Europeia é atualmente o principal investidor estrangeiro no Paraguai, com saldo de US$ 2.452 milhões, segundo o Banco Central do Paraguai, liderado pelos Países Baixos. "A Europa não veio visitar o Paraguai. Veio para ficar", pontuou o assessor.
Em 2025, a economia paraguaia registrou crescimento de 6,6%, o mais alto em doze anos. Além disso, a Moody's concedeu grau de investimento (Baa3) em julho de 2024 e a Standard & Poor's elevou a classificação a BBB- em dezembro de 2025. "Antes, o investidor estrangeiro chegava ao Paraguai apesar da ausência de um tratado. De agora em diante, chegará graças a ele", afirmou Núñez.
O assessor considerou que o acordo oferece maior segurança jurídica e previsibilidade para projetos de longo prazo, mas alertou que o principal desafio será preparar tanto o setor público quanto o privado para aproveitar as oportunidades abertas pelo tratado.