O presidente do Paraguai, Santiago Peña, utilizou seu discurso na 81ª Assembleia Geral da ONU para exigir uma reforma estrutural imediata do Conselho de Segurança e reafirmar o alinhamento diplomático com Taiwan. Ao criticar a arquitetura multilateral concebida há 80 anos como obsoleta, Peña argumentou que o órgão não deve ser apenas uma "foto bonita" do mundo de 1945, mas sim um instrumento eficaz para prevenir conflitos e proteger populações vulneráveis.
No âmbito geopolítico, o mandatário paraguaio defendeu explicitamente a inclusão plena de Taiwan nos sistemas especializados das Nações Unidas. "O Paraguai não é neutro. O Paraguai está, de forma inequívoca, com Taiwan", declarou, citando mais de 70 anos de relações baseadas em valores democráticos compartilhados. Peña alertou sobre os riscos de conflitos no Indo-Pacífico, comparando os microchips ao petróleo do século XX, e advertiu que as ações da China na região representam perigos que transcendem o estreito de Taiwan, afetando a economia global.
Peña também abordou a crise venezuelana, justificando sua recente visita a Caracas e reunião com a presidente Delcy Rodríguez. Ele negou ter ido validar o regime de Nicolás Maduro, cujo encarceramento foi mencionado por fontes locais como parte de mudanças políticas recentes, embora sem detalhar a transição de poder específica. O presidente criticou a inércia histórica dos líderes sul-americanos, afirmando que "durante 25 anos lançaram palavras líricas sem fazer nada pelo povo venezuelano". Segundo Peña, o Paraguai busca agora facilitar uma transição democrática e pluralista, coordenando sua abordagem com Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA.
Antes de seu pronunciamento na ONU, Peña participou da reunião do "Escudo das Américas", iniciativa de segurança hemisférica liderada pelo presidente Donald Trump. No encontro, Peña elogiou o fortalecimento da cooperação entre Washington e os países ocidentais, classificando a aliança como uma oportunidade crucial para combater ameaças transfronteiriças, como o narcotráfico, e consolidar a democracia na região. Ele destacou que Peru, Chile e Colômbia se juntaram recentemente à iniciativa, reforçando o compromisso conjunto com a estabilidade regional.
A intervenção incluiu ainda pedidos específicos sobre rotas marítimas estratégicas. Peña exigiu o cessar imediato dos ataques e a abertura da navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb, alertando que o bloqueio dessas vias prejudica gravemente a segurança alimentar e energética das populações mais desprotegidas. Ele também pediu o retorno às negociações internacionais para resolver essas tensões.
Por fim, o presidente destacou o potencial da inteligência artificial para transformar a agricultura paraguaia, sugerindo que a tecnologia poderia permitir que o país passasse de alimentar 100 milhões para até 1 bilhão de pessoas. Contudo, ele alertou para os perigos éticos da IA, insistindo que a tecnologia deve servir à dignidade humana e não substituir a vontade popular ou os princípios democráticos. Peña concluiu com um chamado otimista ao multilateralismo, afirmando que a paz é uma possibilidade real e que o Paraguai tem muito a contribuir para esse futuro.
