O atual intendente de Itá, Eliecel Achucarro, e vereadores municipais apresentaram em 2 de setembro uma denúncia contra o ex-intendente Jorge Di Martino na Unidade Especializada de Delitos Econômicos e Anticorrupção do Ministério Público, em Assunção. A acusação aponta suposta superfaturação e outras irregularidades na execução de 12 obras públicas.
A medida foi decidida pela Junta Municipal após uma auditoria externa financeira e contábil realizada durante a transição administrativa. Achucarro afirmou que o município recebeu a administração com saldo negativo de G. 230 milhões no chamado recurso genuíno.
Conforme o relatório apresentado pelos denunciantes, as 12 obras foram contratadas por procedimento de exceção, sob alegação de urgência inadiável, mas não tiveram a aprovação necessária da Direção Nacional de Contratações Públicas (DNCP). Os contratos também não teriam os códigos correspondentes, e as obras foram pagas integralmente sem adjudicação formal, segundo a versão do atual governo municipal.
O valor do suposto sobrecusto foi estimado em mais de G. 1,4 bilhão em seis meses. Uma denúncia anterior mencionava dez obras sem documentação completa, como adjudicação ou ata de entrega, além de pagamentos feitos antes da conclusão dos trabalhos. Como os dados ainda estão em fase de apuração, os valores e a responsabilidade penal não foram confirmados pelo Ministério Público.
O vereador Juan Cárdenas afirmou que a auditoria também identificou atrasos no depósito de receitas municipais. Ele citou um acúmulo de até G. 9 bilhões nesse período e disse que, somente em abril, mais de G. 1,3 bilhão não teria sido depositado. Também foi apontado o uso de recursos de royalties para o pagamento de salários, prática que, segundo os denunciantes, é proibida pela legislação.
Di Martino deixou o cargo para disputar a reeleição nas eleições municipais de 4 de outubro. Ele foi escolhido pelo Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA) como candidato oficial da Lista 2. Após a renúncia, Achucarro assumiu a administração e determinou o corte administrativo que motivou a auditoria. A denúncia agora será analisada pela unidade do Ministério Público responsável por investigar crimes econômicos e corrupção.
