Ministério Público imputa cinco pessoas por suposto uso de recursos municipais em obra privada em Assunção

Cinco pessoas foram formalmente imputadas por suposta participação no uso de asfalto, máquinas, caminhões e funcionários da Prefeitura de Assunção para pavimentar uma propriedade privada. A responsabilidade penal ainda não foi estabelecida.

Ministério Público imputa cinco pessoas por suposto uso de recursos municipais em obra privada em Assunção

Cinco pessoas foram formalmente imputadas por suposta participação no uso de asfalto, máquinas, caminhões e funcionários da Prefeitura de Assunção na pavimentação de uma propriedade privada. O caso, conhecido como “máfia do asfalto”, envolve uma obra realizada em 11 de julho de 2026 no terreno da Condor SACI, na avenida República Argentina, em Assunção.

A imputação foi apresentada pelos promotores Luis Lionel Piñánez e Christian M. Benítez Cáceres, da Unidade Especializada de Delitos Econômicos e Anticorrupção do Ministério Público. Antonio Prieto Cané, ex-funcionário municipal aposentado, é apontado como responsável por coordenar o serviço sob o nome comercial AP Construcciones Obras Viales.

Também foram formalmente imputados, como supostos coautores do crime de apropriação, os funcionários da Dirección de Vialidad Juan Ramón Galván Aponte, Francisco Javier Valenzuela Lugo e Derlis Rubén Largo. Lilian Ramona Benítez Ortiz foi imputada como suposta cúmplice por cuidar da emissão da nota fiscal e do recebimento do pagamento. As imputações indicam a posição processual dos envolvidos; a responsabilidade criminal ainda não foi estabelecida.

Segundo a investigação, uma equipe de dez trabalhadores executou o recapeamento de 1.254 metros quadrados no acesso ao setor de oficina e lavagem da empresa. O orçamento apresentado em nome da AP Construcciones somava G. 181.830.000, e Benítez Ortiz teria sacado um cheque de adiantamento de G. 81.709.091.

O Ministério Público estima preliminarmente em G. 100 milhões o prejuízo aos cofres municipais, referente ao suposto uso de recursos públicos. A investigação sobre a obra privada aponta o uso de cerca de 70 toneladas de mistura asfáltica. Separadamente, o interventor da Dirección de Vialidad, Óscar Pérez, informou que 74 toneladas produzidas em 11 de julho não tinham documentação que explicasse sua destinação. Os números vêm de achados investigativos relacionados, mas distintos, e não representam necessariamente a mesma quantidade.

Imagens de câmeras, registros de entrada e planilhas internas são citados na imputação como elementos de apoio. Os registros indicariam a chegada de dois caminhões Mercedes-Benz da frota municipal, além de uma retroescavadeira Manitou, um compactador Dynapac e uma pavimentadora Ammann. A apuração sustenta que não havia ordem de serviço legítima para a atividade naquele dia.

Os promotores pediram ao juiz de garantias Francisco Acevedo medidas alternativas à prisão preventiva, como apresentação periódica e proibição de deixar o país. O prazo solicitado para a conclusão da investigação é de seis meses. A Prefeitura de Assunção informou que os envolvidos foram submetidos a processos administrativos.

Além de apurar a responsabilidade individual, o caso expõe possíveis falhas nos controles municipais sobre estoque de asfalto, uso de máquinas, circulação de veículos e alocação de pessoal. A suposta transferência de insumos destinados a obras públicas para uma propriedade privada importa porque pode afetar o patrimônio municipal, a execução de serviços públicos e a confiança nos mecanismos de contratação e fiscalização. A imputação é uma acusação formal, e a responsabilidade penal ainda deverá ser analisada pela Justiça.

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Fontes (5)

Atualizado: 28 de ago. de 2026, 01:00