O presidente do IPS, Isaías Fretes, visitou na manhã desta segunda-feira (15) a Clínica 12 de Junio, em Assunção, e encontrou um cenário de deterioração acentuada em um hospital que tem apenas um ano e meio de funcionamento e custou cerca de 8 milhões de dólares (49.000 milhões de guaraníes). Acompanhado pelo diretor médico do centro, Juan Lucio Aguilera, Fretes constatou que aproximadamente 80% do telhado apresenta infiltrações, problema que se agravou com o tempo: antes era necessário chuva forte para que a água penetrasse; agora, mesmo com precipitação leve, o hospital sofre infiltrações.
As falhas estruturais vão além do telhado. A bomba de água automática está fora de serviço, o que obrigou a equipe técnica a conectar mangueiras a uma boca de incêndio para abastecer manualmente os tanques — método que já causou interrupções no fornecimento e afetou áreas como o laboratório clínico. A cozinha hospitalar permanece fechada há mais de 18 meses por conta de impugnações contratuais pendentes na Dirección Nacional de Contrataciones Públicas (DNCP), e o setor de raios X teve sua área de comandos completamente inundada, forçando a realocação dos equipamentos. Em dias de chuva, os técnicos precisam transportar manualmente os aparelhos portáteis para evitar danos.
A empresa construtora Paz del Chaco realizou reparos no telhado no ano passado, mas os consertos não resistiram mais de um mês. Por conta de uma cláusula contratual que obriga a firma a corrigir os defeitos, a obra ainda não foi formalmente recepcionada pelo IPS. A compra de um novo equipamento fixo de raios X já foi adjudicada, mas sua instalação está condicionada à resolução das infiltrações.
Durante o percurso, Fretes foi abordado por dezenas de segurados que relataram dificuldades crônicas de acesso a consultas e falta de medicamentos. Mario Medina contou que madruga desde a meia-noite em busca de atendimento e só conseguiu uma consulta para 29 de junho. Rosa Escobar, de 75 anos, jubilada docente, disse que há meses tenta agendar uma consulta com mastóloga — suas irmãs morreram de câncer de mama — e que gasta entre 280.000 e 300.000 guaraníes por mês com medicamentos que não encontra nas farmácias do IPS. Jacqueline de Maciel, hipertensa e diabética, denunciou ter tentado durante um mês conseguir uma consulta médica sem sucesso.
Diante das reclamações, Fretes afirmou que três licitações para compra de medicamentos estão em curso e que 83% do vademécum já tem cobertura contratual. A gerente de Logística e Abastecimento, Cecilia Rodríguez, informou que na semana passada foram emitidas ordens de entrega e que, em aproximadamente três semanas, 65 itens de medicamentos deverão estar disponíveis. O presidente do IPS pediu paciência aos segurados: "Ingressei no dia 24 de abril; dennos tempo, e vamos ir resolvendo os problemas pouco a pouco".
Após a inspeção, Fretes convocou uma reunião técnica com representantes da Gerência de Logística, da Direção Operativa de Contratações, da Direção de Infraestructura, da Auditoria Interna, da Direção Jurídica e do conselheiro representante do Ministério da Saúde, Jimmy Jiménez. O IPS iniciou uma auditoria integral — técnica, administrativa e contratual — que inclui a revisão de informes, certificações de obra, atas de recepção e garantias contratuais. A instituição afirmou que, caso se comprovem descumprimentos contratuais ou responsabilidades administrativas, civis ou penais, impulsará as ações correspondentes ante as instâncias competentes.
Fretes também anunciou que está em desenvolvimento um sistema baseado em inteligência artificial para otimizar a gestão de turnos e que os repuestos para reparar o angiógrafo da clínica já chegaram. Além disso, adiantou conversações com a Itaipú Binacional para instalar um novo angiógrafo em Ciudad del Este, com o objetivo de descongestionar a área central e beneficiar os segurados de toda a região, incluindo os de Caaguazú.