O Ministério Público designou o fiscal de Delitos Econômicos Jorge Arce para investigar a denúncia apresentada há quase oito meses contra o presidente Santiago Peña por suposto enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e abuso de poder.
Arce integrou a equipe de fiscais que, em junho de 2025, pediu o arquivamento das denúncias contra o ex-presidente e atual líder da Associação Nacional Republicana (ANR), Horacio Cartes. Após anos de apuração, os agentes Francisco Cabrera, Fernando Meyer e Verónica Mayor concluíram que não houve crime nas acusações de enriquecimento ilícito, contrabando e lavagem de ativos apresentadas pelo ex-ministro Arnaldo Giuzzio. A Justiça acolheu o pedido e encerrou o caso, em meio a fortes questionamentos e especulações sobre a atuação do Ministério Público.
A denúncia contra Peña foi protocolada em 1º de outubro de 2025 por parlamentares da oposição: os deputados Raúl Benítez e Johanna Ortega, e os senadores Adrián Vaesken, Rafael Filizzola, Rubén Velázquez, Esperanza Martínez e Ignacio Iramain. Os legisladores apontaram um crescimento patrimonial injustificado de 1.603%, aquisição de bens sem respaldo documental e contratos públicos no valor de G. 992 bilhões com empresas supostamente vinculadas ao presidente.
Na época, a então fiscal adjunta da Unidade de Delitos Econômicos e Anticorrupção (UDEA), Soledad Machuca, solicitou um parecer à Controladoria-Geral antes de decidir sobre a abertura formal da investigação. O órgão de controle respondeu somente na última segunda-feira, concluindo que “não foram identificados elementos que configurem incremento patrimonial não razoável ou não proporcional aos rendimentos lícitos do declarante”.
O diretor de Declarações Juradas, Armindo Torres, detalhou que a análise abrangeu dois períodos. No primeiro, de 2014 a 2017, quando Peña era diretor do Banco Central do Paraguai, não se constatou aumento patrimonial expressivo. Já o intervalo de 2018 a 2023, em que o atual mandatário esteve fora da função pública e registrou um crescimento de pouco mais de G. 22 bilhões, não pôde ser verificado pela Controladoria-Geral. A segunda etapa examinada foi do início do mandato presidencial até setembro de 2025.
Sobre a mansão de US$ 2 milhões em San Bernardino, Torres afirmou que não há irregularidades na construção com base nos documentos analisados. A Controladoria-Geral solicitou informações à construtora Gómez Abente SA e à prefeitura local, que não respondeu. O primeiro pagamento, de abril de 2024, foi feito com um empréstimo do banco ueno, e o segundo, com o resgate de ações da ueno Holding. Uma terceira parcela de US$ 300 mil ainda estava pendente até o fechamento do parecer.