Disputa milionária pela hidrovia Paraná-Paraguai: duas belgas na reta final

Duas multinacionais belgas, Jan De Nul e DEME, disputam a concessão de 25 anos da hidrovia Paraná-Paraguai, rota que escoa 80% das exportações argentinas e serve também Brasil, Bolívia, Uruguai e Paraguai. A decisão final depende das propostas econômicas, enquanto a Procuradoria de Investigações Administrativas argentina aponta irregularidades no processo.

Disputa milionária pela hidrovia Paraná-Paraguai: duas belgas na reta final
Disputa milionária pela hidrovia Paraná-Paraguai: duas belgas na reta final

A licitação para a concessão da Vía Navegable Troncal (VNT), a hidrovia Paraná-Paraguai, entrou em sua fase decisiva. Duas empresas belgas – Jan De Nul NV, atual responsável pelo dragado, e Dredging, Environmental & Marine Engineering (DEME) – seguem na disputa pelo contrato de 25 anos, que prevê receita média anual de US$ 618,6 milhões com pedágios.

O processo, lançado em dezembro de 2025 pelo governo do presidente argentino Javier Milei, já teve uma tentativa anterior anulada em fevereiro de 2025, quando apenas a DEME apresentou oferta e o Executivo a acusou de tentar sabotar o certame – acusação negada pela empresa. Na ocasião, circularam denúncias não corroboradas de direcionamento em favor da Jan De Nul, também negadas pela companhia e pelo governo.

Na atual etapa, a Agencia Nacional de Puertos y Navegación atribuiu 66,2 pontos à proposta técnica da Jan De Nul, em consórcio com a argentina Servimagnus, e 42,14 pontos à da DEME. A brasileira DTA Engenharia, que havia se inscrito, não avançou. O resultado final dependerá das ofertas econômicas, ainda a serem apresentadas.

Entretanto, o processo enfrenta questionamentos. A Procuraduría de Investigaciones Administrativas (PIA) argentina emitiu em maio de 2026 um novo parecer apontando irregularidades administrativas que, segundo o órgão, podem acarretar “responsabilidades penais”. A PIA já havia alertado sobre “graves irregularidades” na licitação anterior. A Jan De Nul, por sua vez, impugnou a oferta da DEME na atual concorrência.

A hidrovia, que se estende por 1.635 km desde a confluência dos rios Paraná e Paraguai até o Rio da Prata, é vital para o comércio de cinco países sul-americanos: Argentina, Brasil, Bolívia, Uruguai e Paraguai. Cerca de 80% das exportações argentinas, especialmente grãos e derivados, passam por seus canais, com destaque para o polo portuário de Rosário. A concessão anterior, de 25 anos, foi operada por um consórcio liderado pela Jan De Nul até setembro de 2021, quando o Estado argentino assumiu a administração e contratou diretamente a empresa belga para dragado e balizamento.