As remesas familiares enviadas por paraguayos que vivem no exterior se consolidaram como uma fonte crescente de divisas para o Paraguai, atingindo US$ 11.907,1 milhões no acumulado entre 2008 e março de 2026, segundo dados do Banco Central do Paraguai (BCP).
Desse total, US$ 11.588,1 milhões ingressaram entre 2008 e 2025, enquanto outros US$ 318,9 milhões foram registrados apenas entre janeiro e março de 2026. O salto acumulado no período equivale a uma multiplicação de 6,3 vezes do fluxo anual, com expansão média composta de 11,5% ao ano.
A trajetória começou com US$ 213,7 milhões em 2008 e chegou ao patamar mais alto da série em 2025, com US$ 1.350,4 milhões. A evolução, no entanto, não foi linear: após um crescimento acelerado entre 2008 e 2012, houve uma fase de correção em 2013 e 2014, seguida de recuperação a partir de 2015.
O ciclo recente chama atenção. Em 2024, as remesas superaram pela primeira vez a barreira de US$ 1 bilhão, com US$ 1.005,7 milhões. Em 2025, o fluxo saltou para US$ 1.350,4 milhões, alta de 34,3%. Apenas nesses dois anos, entraram US$ 2.356,1 milhões, valor superior ao acumulado entre 2008 e 2012.
O primeiro trimestre de 2026 manteve o nível elevado, com US$ 318,9 milhões, frente a US$ 309,0 milhões no mesmo período de 2025, um aumento de 3,2%. Os dados mensais mostram US$ 96,2 milhões em janeiro, US$ 105,6 milhões em fevereiro e US$ 117,2 milhões em março.
Além de representarem uma fonte relevante de divisas para a economia paraguai, as remesas funcionam como renda complementar para as famílias receptoras, com impacto sobre consumo, educação, saúde, habitação e pagamento de obrigações. Os recursos também integram a conta corrente da Balança de Pagamentos, na rubrica de rendimentos secundários.
