Roubo de autopartes encarece seguros no Paraguai e afeta veículos importados via Chile

O aumento nos roubos de autopartes no Paraguai, especialmente em veículos importados via Chile, tem encarecido as apólices de seguro e levado as seguradoras a adotarem medidas como limitação de cobertura, restrição de eventos anuais e franquícias para conter os sinistros.

O mercado de seguros paraguaios registra crescimento anual superior a 10% no número de veículos segurados, mas esse avanço vem acompanhado de um aumento no custo das apólices, impulsionado pela alta nos roubos de autopartes. O setor mantém-se competitivo em termos de preço para o consumidor, embora as seguradoras tenham sido obrigadas a adotar medidas técnicas que encarecem as coberturas.

Segundo Diego Duarte, gerente de sinistros e membro da Associação Paraguaia de Companhias de Seguros (APCS), o país conta atualmente com cerca de 600 mil veículos segurados. Uma apólice contra todo risco tem custo mínimo de G. 3.300.000 com cobertura de 12 meses, enquanto as apólices de responsabilidade civil, que não cobrem danos ao próprio veículo, giram em torno de G. 120.000 mensais.

O roubo ou furto de acessórios é hoje uma cobertura oferecida por praticamente todas as companhias para manter a competitividade. Para conter a frequência dos sinistros, as seguradoras limitam a proteção a um percentual sobre a soma assegurada, restringem a quantidade de eventos por ano e aplicam franquícias. Não existem, porém, apólices específicas ou cláusulas adicionais voltadas exclusivamente a esses furtos menores, mas recorrentes; a prática mais comum é incluí-los nas coberturas gerais de risco automotor.

A localização geográfica deixou de ser o principal fator de variação no preço do seguro, uma vez que a maior incidência dos roubos se concentra em Assunção e no Departamento Central. O que mais pesa no custo é o tipo de veículo segurado e o valor de seus acessórios. Veículos de importação direta via Chile são os mais afetados: segundo a APCS, respondem por 80% dos casos registrados.

Para prevenir os furtos, as seguradoras recomendam que os proprietários fixem as autopartes com maior segurança ou guardem os veículos em estacionamentos controlados. Duarte afirmou que as companhias e a associação tentaram implementar um projeto de centralização de dados de riscos para combater o roubo e a venda ilegal de peças, mas a iniciativa não avançou. "A dificuldade radica no controle, especialmente pelos numerosos roubos de veículos nas fronteiras com Brasil e Argentina, o que facilita o rubro ilegal de autopartes", declarou.

O mercado negro de peças se instalou nas redes sociais, onde são oferecidos logotipos, espejos e outros componentes. A venda ilegal amplia a margem de negociação das companhias sobre preços e estoques de repostos, tornando muitas vezes mais rentável importar peças do exterior, como dos Estados Unidos, Alemanha e Brasil.

Para o setor, a frequência dos roubos de acessórios aumentou nos últimos anos, sobretudo em veículos importados via Chile, enquanto o roubo total de veículos apresentou queda gradual nos últimos cinco anos. A falta de denúncias sobre a venda de peças furtadas em locais não habilitados afeta "totalmente" a capacidade das seguradoras de enfrentar o problema. Embora as companhias exijam documentação rigorosa de seus fornecedores, conforme as normas da Secretaria de Prevenção de Lavado de Dinero ou Bens (Seprelad), persiste um "déficit por parte do Estado para o controle de origem de mercaderías".

Fontes (1)

Atualizado: 15 de jun. de 2026, 06:15