Economistas apontam impacto marginal de austeridade do MEF no Paraguai

Economistas avaliaram que as medidas de austeridade anunciadas pelo MEF terão impacto marginal nas contas públicas do Paraguai e não resolvem os problemas estruturais do déficit fiscal.

Economistas apontam impacto marginal de austeridade do MEF no Paraguai
Ilustração gerada por IA.

O economista Luis Rojas e o ex-ministro da Fazenda Benigno López avaliaram que as medidas de austeridade anunciadas pelo Ministério de Economia e Finanças (MEF), por meio do Decreto N° 6120, terão um impacto "marginal" nas contas públicas do país.

Para Rojas, as medidas são mais um sinal político do que uma solução de fundo e chegaram a ser classificadas como "cortina de fumaça". "É mais para o discurso, para dar a sensação de que algo está sendo feito, mas não abordam os problemas de fundo. Este decreto é a cortina de fumaça para dar a sensação de austeridade", afirmou.

O economista questionou que os principais fatores que explicam o déficit fiscal não estejam sendo enfrentados, especialmente os relacionados à baixa capacidade de geração de arrecadação. "Tem a ver com a redução da evasão de impostos, a informalidade e o aumento dos impostos. A famosa reforma tributária e o aumento da nossa pressão fiscal, que é tão baixa, é um tema ignorado diretamente pelo Governo", lamentou.

Rojas também cobrou uma luta frontal contra a corrupção, a redução de cargos comissionados, privilégios, salários desorbitantes e o mau uso de recursos de Itaipú e Yacyretá com fins eleitorais. Além disso, alertou que a dívida pública segue crescendo "aceleradamente": só neste ano, o endividamento aumentou cerca de 10%, o que representa aproximadamente US$ 1,3 bilhão, com uma alta nos juros que absorvem cada vez mais o orçamento público.

"Estas medidas de austeridade são marginais, o déficit fiscal vai se manter, inclusive é possível que aumente, e não corrigem os problemas de fundo", concluiu.

Benigno López, por sua vez, considerou que as medidas poderiam equilibrar parcial e temporariamente a caixa do Estado durante este exercício fiscal, evitando um "descalabro de liquidez". No entanto, sinalizou que deveriam ser utilizadas como transição para impulsionar mudanças profundas, já que ainda são "insuficientes" para elevar o perfil de solvência do país.

"Para que tenham um impacto importante, deveriam ser lidas pela administração não como um fim, mas como uma trégua técnica para limpar os balanços antes de apresentar projetos de reforma legal profundos. Se estas medidas se esgotarem em si mesmas, só teremos assistido a uma gestão de crise recorrente, que, como já é costume, voltará a encontrar os mesmos problemas ao iniciar o ciclo orçamentário do próximo ano", sustentou López, advertindo que, sem reformas estruturais, os mesmos problemas fiscais continuarão se repetindo e poderão afetar a credibilidade fiscal do país.

Fontes (1)

Atualizado: 15 de jun. de 2026, 05:49