Rumores de juicio político a ministros da Corte dividem colorados no Paraguai

Rumores sobre um possível juicio político contra ministros da Corte Suprema dividem o Partido Colorado no Paraguai, embora não exista proposta formal. Derlis Maidana diz que Santiago Peña negou qualquer iniciativa do governo, enquanto Mario Varela reconhece articulações que poderiam envolver senadores liberais, Juan Bartolomé Ramírez e uma eventual movimentação política após as eleições municipais.

Rumores de juicio político a ministros da Corte dividem colorados no Paraguai

Não há, até agora, uma proposta formal de juicio político — o processo constitucional paraguaio para destituir autoridades — contra ministros da Corte Suprema de Justiça. Mesmo assim, rumores sobre a eventual remoção de Gustavo Santander Dans, Víctor Ríos e Manuel Ramírez Candia provocaram reações dentro do Partido Colorado (ANR), que governa o país.

O deputado Daniel Centurión, da dissidência Colorado Añetete, afirmou que seu setor não apoiará nenhuma iniciativa para afastar ministros e que defenderá ativamente a independência do Poder Judiciário caso o tema seja formalizado. Ele também citou Alberto Martínez Simón, Carolina Llanes, Gustavo Santander e Eugenio Jiménez Rolón como magistrados cuja idoneidade e preparação reconhece, sem confirmar quais nomes estariam efetivamente no centro das especulações.

O senador Mario Varela, dissidente colorado e integrante do Jurado de Enjuiciamiento de Magistrados, disse que o assunto circula nos corredores do Legislativo e do Judiciário, mas que ainda não existe uma causa concreta para iniciar um juicio político. Para ele, afastar ministros apenas por decisões judiciais ou por falta de alinhamento partidário abriria uma “Caixa de Pandora” e poderia desencadear uma crise institucional.

Varela também pediu aos ministros que não se deixem absorver ou neutralizar individualmente pela pressão política. Essa formulação preserva a metáfora usada por ele para alertar que a pressão contra parte do tribunal poderia acabar alcançando todos. Na avaliação do senador, os integrantes da Corte que hoje não estariam sob ameaça deveriam defender a independência institucional em conjunto, pois poderiam ser os próximos alvos.

As versões mais específicas atribuem ao movimento Honor Colorado, ligado ao ex-presidente Horacio Cartes, a intenção de substituir os três ministros por nomes mais próximos do grupo. Os três participaram da votação que declarou inconstitucional a Resolução nº 431 da Câmara dos Senadores, que determinou a perda do mandato da então senadora Kattya González em 14 de fevereiro de 2024. As fontes não afirmam que eles tenham redigido a decisão nem estabelecem responsabilidade individual além da participação na votação.

Também circula a hipótese de buscar votos de senadores liberais alinhados ao cartismo. Nesse cenário, é mencionado o possível nome do ex-senador liberal Juan Bartolomé Ramírez para uma vaga na Corte, com uma eventual movimentação política depois das eleições municipais de outubro. Trata-se de uma possibilidade não confirmada, e a avaliação publicada é que os votos ainda não seriam suficientes, sobretudo sem o apoio da dissidência colorada.

O senador cartista Derlis Maidana afirmou que conversou com o presidente Santiago Peña e que o chefe do Executivo negou haver iniciativa do governo ou do oficialismo para destituir ou substituir ministros. A declaração contrasta com o reconhecimento de Varela de que rumores existem, embora nenhum deles tenha se convertido em proposta formal.

Uma reportagem descreveu uma suposta reunião ocorrida no fim do ano passado em Mburuvichá Róga, com a participação de Peña, de Horacio Cartes e de ministros da Corte; a mesma versão diz que Ríos, Santander Dans e Ramírez Candia não teriam participado. O relato é alegado e não confirmado de forma independente. Outra reportagem registrou apenas a referência de Varela a uma reunião que ele descreveu como “meio clandestina”, sem confirmar independentemente seus participantes.

Maidana ainda defendeu a reeleição de Camilo Benítez como titular da Controladoria-Geral e a nomeação de Armindo Torres como subcontrolador. Críticos questionaram a concentração dos dois cargos em integrantes do Partido Colorado e apontaram risco de enfraquecimento do controle político sobre o poder público. Maidana respondeu que ambos cumprem os requisitos e afirmou que a principal crítica a Benítez seria o fato de ele ser colorado, não seu desempenho no cargo.

O debate ocorre enquanto o governo enfrenta uma crise na saúde, marcada por protestos médicos, renúncias e falta de recursos nos hospitais. Maidana reconheceu a necessidade de uma reunião direta entre Peña e representantes dos sindicatos médicos para tentar destravar o conflito, ao mesmo tempo que disse que o presidente também atua na organização do partido para as eleições municipais.

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Fontes (4)

Atualizado: 6 de set. de 2026, 01:00