A senadora Esperanza Martínez cobrou que o Presupuesto General de la Nación (PGN) contemple investimento real e transparente em políticas públicas de proteção a mulheres, meninas e adolescentes, ao alertar sobre a grave situação de maternidade infantil e gravidez adolescente no Paraguai.
No marco do Dia das Mães, a parlamentar apresentou uma análise crítica das condições enfrentadas por milhares de mulheres paraguaias, vinculando a falta de investimento estatal e a corrupção estrutural aos elevados índices de violência e vulnerabilidade social.
Martínez divulgou cifras de 2025: dos 77.864 nascimentos registrados no país, cerca de 8.000 foram de adolescentes entre 15 e 19 anos, enquanto 350 casos envolveram meninas de 10 a 14 anos. A senadora foi enfática ao afirmar que, nessa faixa etária, não há consentimento — são casos de abuso sexual que o Estado deve prevenir. Ela também alertou que, em média, nascem 25 crianças por dia de mães menores de 19 anos, expondo essas adolescentes a um risco de mortalidade materna até quatro vezes maior que o de mulheres adultas.
Atualmente, 35% dos lares paraguaios são chefiados por mulheres, muitas das quais enfrentam sozinhas a criação dos filhos devido à migração forçada e ao impacto do feminicídio. Martínez destacou o papel das "mães cuidadoras", como avós e tias, que sustentam as famílias diante das dificuldades econômicas e sociais.
A senadora instou o Congresso e o Poder Executivo a deixarem de lado discursos protocolares e avançarem para políticas públicas respaldadas por recursos concretos. "O reconhecimento às mulheres e mães não se garante com discursos, mas com a aplicação de recursos públicos transparentes no Orçamento Geral da Nação", afirmou. Ela exigiu programas eficazes e livres de corrupção que beneficiem especialmente trabalhadoras, agricultoras, enfermeiras e mulheres que sustentam economicamente suas famílias.
Por fim, Martínez apelou à necessidade de uma "Segunda Independência", conceito que usou para se referir à urgência de libertar a gestão pública do controle de estruturas ilícitas. Segundo ela, o uso abusivo de recursos estatais, irregularidades em licitações e o negócio de títulos educacionais são obstáculos diretos ao desenvolvimento e à segurança de mulheres e jovens no país.