A senadora Esperanza Martínez traçou um panorama da construção opositora no Paraguai, destacando que o principal desafio é consolidar alianças territoriais capazes de disputar o poder local. Em declarações ao jornal El Nacional, ela explicou que o trabalho político vem sendo feito por meio da articulação entre três grandes espaços opositores — entre eles o Frente Guasú e setores do Partido Liberal Radical Auténtico (PLRA) — além de conversas com outros grupos locais.
“Tentamos construir alianças entre três espaços e com espaços menores em alguns outros, buscando que haja a melhor quantidade de listas para ter maioria nos temas municipais”, disse Martínez. Ela precisou que, atualmente, existem acordos em 138 municípios do país, impulsionados por distintas forças políticas.
A legisladora ressaltou que os processos municipais têm lógica própria, diferente da dinâmica das eleições nacionais. “Cada município faz seu próprio caminho”, afirmou, ao explicar que em algumas localidades os acordos avançam com mais facilidade devido a trajetórias prévias de trabalho conjunto e lideranças consolidadas, enquanto em outras a fragmentação e as diferenças políticas tornam a construção coletiva mais complexa.
Martínez também apontou dificuldades geradas pelo sistema eleitoral vigente, particularmente o voto preferencial, ao qual atribuiu uma dinâmica de forte competição interna entre dirigentes de um mesmo espaço. “Há uma luta de todos contra todos que o sistema gera”, sustentou. A seu ver, essa lógica não apenas estimula disputas dentro dos partidos, mas aprofunda tensões pessoais e rivalidades políticas que dificultam a construção de consensos amplos. “São questões humanas: discussões, diferenças, rivalidades, heroísmos. Isso também faz parte da luta política”, refletiu.
Apesar desse cenário, a senadora considerou que a oposição mantém possibilidades reais de se fortalecer em vários municípios, desde que consiga sustentar a unidade estratégica acima das disputas conjunturais.