Senadora paraguaia denuncia vínculos de políticos com narcotráfico e impunidade

A senadora paraguaia Esperanza Martínez denuncia que políticos, incluindo senadores, deputados, governadores e ministros, estão ligados ao narcotráfico, financiam campanhas com dinheiro ilícito e gozam de impunidade, apontando para uma tolerância sistêmica à corrupção no país.

Senadora paraguaia denuncia vínculos de políticos com narcotráfico e impunidade

A senadora paraguaya Esperanza Martínez fez duras críticas ao que chamou de "tragédia" do sistema político do país, afirmando que indivíduos honestos são tratados como um problema, enquanto a corrupção é tolerada. Em entrevista à emissora El Observador Radio-TV, a parlamentar declarou que o sistema "cospe" e expulsa quem age com correção, pois se torna um incômodo para aqueles que praticam tráfico de influências. "Os honestos são o problema, não os corruptos. Essa é a tragédia do Paraguai", enfatizou.

Martínez ampliou suas acusações, afirmando que há senadores, deputados, governadores e ministros ligados ao narcotráfico, que financiam suas campanhas com dinheiro ilícito sem serem detectados pela Justiça Eleitoral. Ela destacou que nenhum dos eleitos que posteriormente enfrentam processos penais é punido. Para a senadora, a maneira mais clara de identificar a corrupção é observar a discrepância entre os salários públicos e os estilos de vida luxuosos. Ela usou seu próprio salário de 37 milhões de guaranis como exemplo, questionando como um funcionário público poderia adquirir propriedades avaliadas em milhões de dólares sem recorrer ao desvio de verbas.

A parlamentar citou instituições como a Secretaria de Prevenção de Lavado de Dinheiro (Seprelad) e a Fiscalia de Delitos Econômicos como entidades que deveriam investigar essas mudanças abruptas no padrão de vida. Ela também mencionou a Aduana e a estatal Petropar como locais onde os sinais de enriquecimento ilícito seriam evidentes, citando como exemplo a festa de debutante de uma governadora do departamento de Concepção.

Martínez descreveu a sociedade paraguaia como "hipócrita", onde as mesmas pessoas envolvidas em esquemas de corrupção socializam publicamente em clubes e eventos. Ela alertou que a impunidade permite que esses indivíduos, com recursos para financiar grandes campanhas e comprar votos, continuem a dominar a cena política. Como solução, a senadora defendeu um despertar da cidadania, sugerindo que a população deve rejeitar socialmente os corruptos. "No dia em que a pessoa que ganhou seu dinheiro com sacrifício disser 'eu não me sento em um churrasco com corruptos', as coisas vão mudar", concluiu, apontando para a falta de penalidade social e jurídica como o cerne do problema.

Compartilhar WhatsApp Facebook LinkedIn

Fontes (2)

Atualizado: 14 de ago. de 2026, 01:22