Ex-senador "Chaqueñito" Vera enfrenta multa milionária por não declarar bens após expulsão

Javier "Chaqueñito" Vera, ex-senador paraguaio, não apresentou sua declaração de bens no prazo legal de 15 dias após ser destituído do Congresso. A Controladoria-Geral da República abriu um sumário administrativo que pode resultar em multa de até 100% de seu salário como senador, cerca de 32 milhões de guaraníes. Vera justificou o atraso como consequência do estresse da expulsão e disse que "terá que vender o corpo" para pagar a penalidade.

O ex-senador Javier “Chaqueñito” Vera, expulso do Congresso paraguaio, agora enfrenta um processo administrativo da Controladoria-Geral da República (CGR) por não ter entregue sua Declaração Jurada de Bens e Rendas (DD.JJ.) no prazo de 15 dias úteis após o fim do mandato. A multa pode chegar a 100% do salário que recebia como senador, estimado em cerca de 32 milhões de guaraníes.

Em entrevista à rádio Monumental, Vera afirmou que o esquecimento se deve ao estresse da destituição. “É muito preocupante, tenho que vender meu corpo para pagar a multa. Recebi a notificação há uma semana e esta semana já vou dar uma resposta”, disse, em tom característico. Ele acrescentou que está sendo assessorado para regularizar a situação e que publicará a declaração assim que possível.

Armindo Torres, diretor de Declarações Juradas da CGR, explicou que a lei é clara e que o prazo já foi superado, o que motivou a abertura do sumário. Torres destacou que a legislação foi atualizada: antes, a multa era fixa em 300 salários mínimos, valor que era irrisório para altos cargos, mas agora é calculada proporcionalmente ao salário do funcionário, variando de 20% a 100%, com acréscimos progressivos conforme os dias de atraso.

Além de Vera, os ex-senadores colorados Erico Galeano e Hernán Rivas, que também perderam suas cadeiras recentemente, precisam apresentar suas declarações para evitar sanções semelhantes.

Em outra frente, a disputa interna do Partido Colorado pela prefeitura de Assunção se intensificou. Camilo Pérez, pré-candidato do movimento Honor Colorado, criticou a senadora Lilian Samaniego e seu irmão, Arnaldo Samaniego, por pedirem uma nova auditoria nas urnas eletrônicas do Tribunal Superior da Justiça Eleitoral (TSJE), a apenas três semanas das eleições internas marcadas para 7 de junho. Pérez classificou o pedido como “manobra de desespero” e afirmou que o calendário eleitoral não será alterado. O TSJE já realizou auditorias entre 1º e 27 de fevereiro, com participação de todos os partidos, e o ministro Jaime Bestard confirmou que o cronograma permanece inalterado.