Uruguaio Marset usou Paraguai como base de tráfico de cocaína para Europa e África entre 2020 e 2021

O uruguaio Sebastián Marset Cabrera utilizou o Paraguai como base de operações de sua rede internacional de narcotráfico entre 2020 e 2021, articulando mafias bolivianas e paraguaias para acopiar e exportar grandes volumes de cocaína para Europa e África, sendo detido na Bolívia em março e extraditado aos Estados Unidos, onde responde por conspiração para lavagem de dinheiro.

Uruguaio Marset usou Paraguai como base de tráfico de cocaína para Europa e África entre 2020 e 2021

O uruguaio Sebastián Marset Cabrera, 35 anos, teria transformado o Paraguai em base de operações de sua rede internacional de narcotráfico entre 2020 e 2021, segundo a acusação da Justiça dos Estados Unidos. A estrutura, que articulava mafias bolivianas e paraguaias, acopiava, escondia e exportava grandes volumes de clorhidrato de cocaína para países da Europa e da África.

A rota começava no ar: avionetas de matrícula boliviana cruzavam a fronteira e pousavam em uma pista clandestina na Reserva Natural Cabrera-Timane, em Bahía Negra, no Chaco paraguaio. O local contava com um aeródromo sem autorização da Dirección Nacional de Aeronáutica Civil (Dinac). Após a descarga, a logística passava a ser coordenada por uma rota aérea interna conduzida pelo piloto paraguaio Gilberto Sandoval, com comunicação por rádios terra-aire.

O centro principal de acopio era a estancia San Agustín, no departamento de Presidente Hayes, registrada em nome de Hugo González Ramos, procurado pelo operativo A Ultranza. O imóvel dispunha de hangar e pista clandestina cercada por canais de água, equipada com potentes refletores para pousos noturnos. De lá, a cocaína — chamada internamente de "premio" — seguia por dois caminhos.

Parte era levada de avião até a estancia Agroganadera Nuevo Horizonte, em San Estanislao, propriedade de Miguel Ángel Insfrán, conhecido como Tío Rico, principal aliado de Marset no Paraguai. O restante era transportado em caminhões de grande porte das empresas Porvenir SA e Barakah SRL, firmas fachada de Insfrán, rumo ao departamento Central. Nos depósitos urbanos, a droga era ocultada em cargas lícitas de farinha de soja e couro azul, acondicionadas em contêineres que seguiam de barco pelos portos fluviais de Villeta.

Ao menos quatro embarques conseguiram escoar 17.340 quilos de cocaína pura, burlando os controles de um país que, segundo a acusação, lhes abriu as portas. Marset, que permaneceu foragido por vários anos, foi detido em 13 de março em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e imediatamente extraditado aos Estados Unidos.

O uruguaio deve comparecer a audiência perante a Justiça federal norte-americana no dia 1º de julho e pode firmar acordo para reduzir sua pena. Até o momento, responde por acusação de conspiração para lavagem de dinheiro, mas a estuda ampliar a denúncia por outros fatos. A acusação atual abrange um período de aproximadamente dois anos, envolvendo lavagem de dinheiro fora dos Estados Unidos, especificamente na América do Sul e na Europa Ocidental, utilizando o sistema financeiro norte-americano.

Se condenado por conspiração para lavagem de dinheiro, Marset enfrenta pena de até 20 anos de prisão, seguidos de três anos de liberdade condicional supervisionada, além de multa que pode superar US$ 500 mil. A já reuniu 22 gigabytes de provas contra ele, volume equivalente a 4 milhões de páginas de texto, incluindo extensas comunicações eletrônicas em espanhol e português obtidas de servidores no exterior.

Fontes (1)

Atualizado: 8 de jun. de 2026, 06:42