Informalidade atinge 60% dos trabalhadores e representa 20,5% do PIB no Paraguai

A informalidade no Paraguai atinge 60,1% dos trabalhadores e representa cerca de 20,5% do PIB, sendo um desafio estrutural que afeta desde o comércio de rua até setores como construção, serviços domésticos, transporte, atividades agrícolas e pequenos negócios familiares, segundo o economista Rodrigo Ibarrola, do Cadep, que defende a educação como fator central para a redução do fenômeno e uma formalização baseada em incentivos, acompanhada de benefícios visíveis e melhores serviços públicos.

Informalidade atinge 60% dos trabalhadores e representa 20,5% do PIB no Paraguai

A informalidade no Paraguai atinge 60,1% dos trabalhadores e representa cerca de 20,5% do PIB, segundo dados das contas nacionais. Apesar da expansão econômica registrada em 2025, o fenômeno continua sendo um desafio estrutural para o país, afetando desde o comércio de rua até setores como construção, serviços domésticos, transporte, atividades agrícolas e pequenos negócios familiares.

O economista Rodrigo Ibarrola, do Centro de Análise e Difusão da Economia Paraguaia (Cadep), explica que a informalidade é multicausal e não pode ser resumida a um único indicador. Ele distingue diferentes perfis de trabalhadores informais: há os cuentapropistas e microempresas que atuam na subsistência, para quem o custo de formalização é praticamente inacessível, como vendedores ambulantes e pedreiros; mas também existem autônomos de alto desempenho, com maior produtividade e capacidade empresarial, que optam por permanecer na informalidade por vantagens tributárias e flexibilidade, como contratistas de obras, comerciantes fronteiriços e programadores de software.

"São atividades legais. O que as torna informais é que não pagam impostos, não emitem notas fiscais, não registram trabalhadores e não cumprem plenamente a regulamentação laboral ou comercial", afirma Ibarrola. Ele ressalta que a informalidade não é uma categoria jurídica claramente delimitada e pode referir-se a trabalhadores sem previdência social, empresas não registradas, atividades não declaradas ao fisco, emprego precário, trabalho por conta própria e produção não registrada.

Entre os determinantes do fenômeno, o economista aponta a educação como fator central. Trabalhadores com mais anos de estudo têm maiores probabilidades de possuir seguro médico, contribuir para a aposentadoria, receber férias, trabalhar em empresas registradas e contar com contrato formal. "A educação incrementa a produtividade individual. Como os trabalhadores mais produtivos são mais atrativos para empresas formais, isso facilita a entrada em empresas maiores, trabalhos mais profissionais e o setor público. Assim se forma um círculo virtuoso", sustenta.

Sobre o papel do Estado na redução da informalidade, Ibarrola argumenta que a coerção estatal ou a mera simplificação de trâmicas não são suficientes. Ele observa que o Paraguai tem baixa capacidade regulatória e alta intenção regulatória, com anúncios constantes de planos de formalização, mas resultados modestos diante das restrições institucionais. "A economia paraguai atual não pode funcionar sem a economia informal", afirma.

O economista alerta que a fiscalização massiva e o endurecimento de sanções tendem a ter benefícios marginais baixos, e que uma formalização abrupta poderia gerar desemprego, fechamento de microempresas e redução da renda familiar. Para ele, a estratégia central deve passar pela educação, pela diferenciação dos tipos de autoemprego e por uma formalização baseada em incentivos, acompanhada de benefícios visíveis e melhores serviços públicos. "É preciso passar de perguntar como eliminar a informalidade a que nível é compatível com uma economia que quer se desenvolver e quais segmentos priorizar", conclui.

Fontes (1)

Atualizado: 8 de jun. de 2026, 06:42