A estatal ANDE, responsável pela geração, transmissão e distribuição de eletricidade no Paraguai, prepara sua primeira licitação para comprar energia produzida por empresas privadas. O edital prevê a contratação de 140 megawatts (MW) de energia solar fotovoltaica para uma usina de grande porte em Loma Plata, no departamento de Boquerón.
O projeto estima investimento de aproximadamente US$ 100 milhões e deve operar em um modelo de leasing, no qual o setor privado construirá a infraestrutura e a ANDE comprará a eletricidade gerada. A previsão é que o edital fique pronto até o fim de outubro de 2026.
A futura Central Solar de Loma Plata terá potência instalada de 140 MW em corrente alternada e será conectada ao Sistema Interconectado Nacional (SIN), rede administrada pela ANDE que distribui pelo país a eletricidade produzida pelas hidrelétricas, incluindo Itaipu. A conexão ocorrerá pela subestação de Loma Plata, em 220 quilovolts, com a construção de uma linha de transmissão de cerca de sete quilômetros e a ampliação da estrutura existente.
A iniciativa representa uma mudança no mercado elétrico paraguaio, historicamente concentrado em grandes hidrelétricas e sob controle estatal. Pela primeira vez, a empresa pública deverá adquirir energia gerada por um empreendimento privado, abrindo espaço para novos investimentos nacionais e estrangeiros em geração renovável.
Além de acrescentar capacidade ao sistema, a iniciativa busca complementar a geração hidrelétrica e reduzir a dependência quase exclusiva dessa fonte. Segundo a justificativa do projeto, a energia solar poderá ajudar a atender ao crescimento contínuo da demanda, especialmente diante da expansão produtiva e industrial esperada para a próxima década.
O processo também será uma das primeiras aplicações práticas do novo marco legal paraguaio para energias renováveis. Seu resultado poderá definir as condições para futuras licitações e indicar como o capital privado participará da expansão da infraestrutura elétrica do país.
Para consumidores e empresas fora do Paraguai, a consequência mais concreta será a possibilidade de uma oferta elétrica mais diversificada no médio prazo. A implantação, porém, ainda depende da publicação do edital, da licitação e da execução das obras de geração e conexão ao SIN.
