O presidente Santiago Peña nomeou o engenheiro Miguel Báez Reyes como novo presidente da Administração Nacional de Eletricidade (ANDE), substituindo Félix Sosa, que estava no cargo desde agosto de 2020. O anúncio foi feito pelo mandatário através de suas redes sociais, classificando a mudança como um passo para fortalecer a instituição estratégica para o desenvolvimento do Paraguai.
Miguel Báez é um funcionário de carreira da ANDE, onde atuava como gerente técnico antes de se aposentar há dois anos. Em sua primeira coletiva de imprensa, ele afirmou que aceitou o convite por gratidão à empresa que lhe deu toda a sua formação e revelou os cinco eixos principais de sua gestão, definidos por Peña: modernizar e fortalecer a instituição, ampliar a infraestrutura, diversificar a geração de energia, preparar o sistema para atrair investimentos e garantir a sustentabilidade financeira da estatal.
A mudança na liderança ocorre em um contexto de tensões anteriores amplamente divulgadas. O Sindicato dos Trabalhadores da ANDE (Sitrande) afirmou que a saída de Sosa está diretamente ligada à sua relutância em assinar um contrato de fornecimento de energia com tarifas preferenciais para a empresa britânica Atome, que planeja uma fábrica de fertilizantes verdes em Villeta. O secretário-geral do sindicato, Adolfo Villalba, declarou que Sosa foi substituído porque se recusou a ceder às pressões para conceder uma tarifa congelada de US$ 30 por megawatt-hora por 15 anos, o que, segundo o sindicato, causaria um prejuízo de até US$ 200 milhões à ANDE.
O governo havia negado anteriormente que Sosa tivesse renunciado. Em um postagem nas redes sociais após sua saída, Sosa agradeceu a oportunidade, desejou sucesso a Báez e confirmou que continuará como funcionário da estatal. Por outro lado, o deputado opositor Raúl Benítez criticou a mudança, alegando que ela atende a interesses comerciais do entorno presidencial para subsidiar empresas aliadas.
O setor empresarial, representado pelo presidente do Conselho Empresarial da América Latina (CEAL), Rubén Jacks, comemorou a mudança, afirmando que a ANDE havia se tornado um "gargalo" para grandes projetos de investimento. Jacks listou como desafios urgentes para a nova gestão a redução das perdas de energia (atuais 23%, contra um padrão regional de 15%), o combate à mineração ilegal de criptomoedas e a redução da inadimplência, especialmente do próprio governo nacional.
O novo presidente da ANDE admitiu que existem cerca de 5.000 MW em projetos e consultas de investidores que encontram obstáculos devido à falta de normas claras. Ele afirmou que a instrução de Peña é destravar esses processos, mas com critérios técnicos, avaliando cada proposta com base no benefício para o país, na geração de empregos e na sustentabilidade financeira da empresa. Báez descartou aumentos de tarifas para usuários residenciais e mencionou planos para diversificar a matriz energética, incluindo a implantação de centrais solares, como uma de 140 MW no Chaco, e a prospecção de gás natural.
