Auditoria aponta perda de G. 65,5 bilhões no patrimônio imobiliário do IPS até 2025

Auditoria da Controladoria-Geral estima perda de G. 65,5 bilhões no patrimônio imobiliário do IPS entre 2023 e 2025, atribuída à baixa rentabilidade e problemas de ocupação e cobrança, enquanto novos levantamentos apontam possíveis irregularidades em terras no Chaco.

Auditoria aponta perda de G. 65,5 bilhões no patrimônio imobiliário do IPS até 2025

O patrimônio imobiliário do Instituto de Previsión Social (IPS), entidade paraguaia de seguridade social e saúde pública, acumulou uma perda financeira estimada em G. 65,5 bilhões (cerca de US$ 10 milhões) entre 2023 e 2025, segundo auditoria da Controladoria-Geral. O resultado decorre de rendimentos abaixo da taxa atuarial de referência e de problemas na ocupação e cobrança de aluguéis.

Ao fim de 2025, o IPS administrava 929 unidades imobiliárias avaliadas contabilmente em G. 1,97 trilhão, quase US$ 304 milhões, equivalentes a 9,9% de sua carteira total de investimentos. Os imóveis destinados a aluguel renderam, em média, 0,46% em 2023, 1,09% em 2024 e 0,92% em 2025, abaixo da taxa atuarial de 2% usada como parâmetro para investimentos das reservas do Fundo Comum de Aposentadorias e Pensões.

A Controladoria afirmou que a diferença reduziu a contribuição dos imóveis para o financiamento das obrigações previdenciárias e afetou a solvência e a sustentabilidade atuarial do sistema. O órgão recomendou que o IPS acelere a cobrança judicial de créditos, acompanhe os processos e abra uma investigação interna para apurar responsabilidades.

O levantamento também identificou 172 unidades em ocupação precária, contra apenas 169 efetivamente alugadas. Outras 90 propriedades estavam judicializadas e 482 apareciam como disponíveis. No Edifício Yuquyry, em Ciudad del Este, 108 das 110 ocupações registradas eram consideradas precárias. No Paraná Country Club, uma unidade informada como disponível estava ocupada sem pagamentos, enquanto outras propriedades apresentavam sinais de abandono.

A inadimplência de instituições públicas somava G. 28,489 bilhões em aluguéis ao fim de 2025. Entre os casos citados estão o Ministério Público, a Secretaria de Emergência Nacional, a Prefeitura de Villa Elisa, o Júri de Julgamento de Magistrados, o Ministério da Mulher e a Prefeitura de Encarnación. Apenas a dívida do Ministério Público, acrescida do rendimento financeiro que deixou de ser obtido em um ano, representava impacto estimado em G. 12,004 bilhões.

O problema também aparece na tentativa de explorar os 327 lotes do condomínio Cantegrill, em San Bernardino, que correspondem à maior parte dos 483 imóveis do IPS destinados a aluguel. Avaliados em G. 109,081 bilhões e distribuídos por cerca de 46 hectares, apenas seis contratos vigentes geram G. 25 milhões mensais. O Conselho de Administração autorizou o avanço do processo de locação, mas exigiu estudos sobre o valor real dos terrenos, o Valor Presente Líquido, a taxa de desconto e eventual período de carência antes de aprovar o edital definitivo.

Na mesma sessão, Isaías Fretes, ex-presidente do IPS e atual ministro da Saúde, informou que o levantamento das terras e fazendas da instituição no Chaco foi concluído após uma operação com militares, topógrafos e drones cedidos pelo Ministério do Ambiente MADES. Fretes disse ter encontrado “irregularidades produto da desídia” em uma área de aproximadamente 54 mil km² e pediu ao sucessor, Derlis León, que visite pessoalmente o território. As declarações indicam novas frentes de apuração, mas não detalham quais bens ou responsáveis estariam envolvidos.

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