Uma auditoria interna do Instituto de Previsão Social (IPS) revelou um suposto esquema de manipulação de registros informáticos que teria permitido ocultar dívidas por contribuições patronais superiores a G. 7.670 milhões. O Informe Final AI Nº 01/2026 aponta que 14 funcionários estão vinculados a alterações realizadas entre janeiro de 2024 e maio de 2025, beneficiando 59 empresas.
O mecanismo identificado consistia em alterar o número de RUC e a razão social de empresas devedoras dentro do sistema REI (Registro Eletrônico de Informação), mantendo inalterado o identificador interno do empregador. Com isso, a dívida deixava de aparecer associada à empresa original e passava a figurar sob outra identidade, criando a aparência de que a patronal estava em dia com suas obrigações.
A auditoria documentou casos em que os dados foram transferidos para pessoas falecidas, contribuintes inexistentes ou registros que não coincidem com as bases tributárias oficiais. Um dos exemplos citados refere-se à substituição dos dados de uma patronal pelos de uma pessoa falecida que, segundo os registros, teria 117 anos de idade.
As modificações teriam permitido que empresas com dívidas reais obtivessem irregularmente certificados de cumprimento que atestavam a inexistência de obrigações pendentes ante o IPS, necessários para acessar trâmites e serviços institucionais, incluindo solicitações de empréstimos na Caixa de Empréstimos do IPS.
Os auditores detectaram indícios de uso de ferramentas de acesso remoto para executar modificações a partir de locais diferentes dos atribuídos aos usuários habilitados. Também foram verificadas situações em que uma pessoa iniciava sessão com uma conta de domínio e depois operava o sistema REI com credenciais distintas, dificultando a identificação do verdadeiro responsável pelas alterações.
Outra irregularidade apontada é o uso de uma janela informática denominada "Modificação de Dados do Sistema REI-Interno", que deveria servir apenas para consultas. Além disso, constatou-se que funcionários mantiveram privilégios administrativos mesmo após terem deixado seus cargos ou após a revogação formal de seus acessos.
Os registros históricos examinados pela auditoria mostram modificações que remontam pelo menos a 2010, com uma concentração importante de mudanças entre maio e outubro de 2024. A própria instituição já havia denunciado prática semelhante em 2022, com um prejuízo de G. 5 bilhões.
A auditoria conclui que as irregularidades foram possíveis devido a fragilidades nos mecanismos de rastreabilidade, controle de acessos e supervisão informática. Entre as recomendações estão o fortalecimento dos controles internos, a revisão integral dos privilégios administrativos, a implementação de auditorias permanentes sobre modificações de dados sensíveis e o encaminhamento dos antecedentes às autoridades competentes para apurar responsabilidades administrativas e penais.