Uma auditoria interna do Instituto de Previsão Social (IPS) revelou um esquema de ocultamento de dívidas de Contribuição Previdenciária Patronal que envolveu mais de 50 empresas e pessoas físicas, com um prejuízo patrimonial estimado em mais de G. 7,670 milhões. As irregularidades foram identificadas em um relatório de janeiro de 2026, que analisou o período entre janeiro de 2024 e maio de 2025.
O modus operandi consistia em alterar dados do Registro Único do Contribuinte (RUC) e números de cédula no sistema Registro Eletrônico de Informação (REI), utilizado pelo IPS para controlar contribuições e obrigações patronais. Com essas modificações, as dívidas de empresas inadimplentes eram migradas para empresas fictícias ou até mesmo para pessoas falecidas, fazendo com que os devedores originais passassem a aparecer sem pendências em seus extratos.
Entre os maiores valores transferidos ilegalmente estão a Empresa de Transporte Padre Fidel Maíz SRL, com G. 885 milhões; Da Vinci SA, com G. 658 milhões; Silvero Báez Claudio, com G. 552 milhões; Paludo SA, com G. 500 milhões; Campos Ortiz Jaime Blas Narciso, com G. 430 milhões; Jorge Samudio Ferreira, com G. 426 milhões; e Multi-Servicios SA, com G. 355 milhões. Também figuram na lista empresas conhecidas de diversos setores, como Milano Internacional SA, Víctor y Romi SRL, Rancho Ysapy SA, Agro Ganadera Monte Alto SA, Makin'g Group SA, Mercado Móvil SRL, Importquartz SA, Osorio Card SA, Carrocería Paraguaya SA (Carpasa), Empresa de Transporte Ñane Reta SA e Tatter SRL.
A auditoria identificou 54 registros iniciais e cinco casos adicionais com múltiplas modificações irregulares, algumas remontando a 2010. Entre os casos com alterações repetidas estão Laureano Espínola, com mudanças entre 2014 e 2024; Estudio Libertad SA Consultores e Abogados, com 19 alterações irregulares em 2017; Antonio Romero Escobar; Hugo Cantero López; Héctor Luis Núñez Cabañas; Henririch Giesbretch Kauenhowen; e Cristian Eduardo Quintana. Somados, os cinco casos adicionais representam G. 445,7 milhões em contribuições não pagas.
O relatório identificou cerca de 14 funcionários do IPS vinculados às modificações irregulares. A funcionária Analía Aide Machuca Caballero, com o usuário "anamachu", concentra o maior número de alterações detectadas, com 55 modificações. María Lorena González ("malgonza") denunciou o uso indevido de seu usuário e senha. Renán Leguizamón ("rleguiza") manteve privilégios de administrador mesmo após solicitar a revogação de seus acessos. Também aparecem Fidelina Almada Benítez ("falmada"), Jazmín Rocío Díaz López ("jardiaz"), Albert Martínez Romero, Rodrigo Fabián Zelaya, Lis Mabel Pereira Krissel, Albino Vallejos Gracia, Juan Manuel Álvarez, Elizabeth Frey, Robert Acosta, Luis Adolfo Bobadilla Colman, Liliana Patiño e Osvaldo Bareiro.
O documento conclui que os fatos podem configurar crimes de alteração de dados e sabotagem informática. As alterações permitiam que empresas com grandes obrigações previdenciárias aparecessem sem dívidas registradas, facilitando trâmites, solicitações de documentos, participação em licitações e outras gestões que exigem comprovação de regularidade junto ao IPS.
