Uma equipe de pesquisadores detectou uma tumba vazia no Cemitério Municipal de Itá durante uma busca por possíveis restos de Martin Bormann, dirigente nazista e secretário particular de Adolf Hitler. Os especialistas suspeitam que um corpo tenha sido enterrado no local e depois exumado e transferido, mas a investigação exibida pelo History Channel não identificou quem teria sido sepultado ali.
O geofísico norte-americano Neil Anderson examinou o terreno com radar de penetração no solo, orientado por um coveiro da cidade. A equipe relatou alterações caóticas nas medições eletromagnéticas e encontrou fragmentos de tijolos quebrados. Um dos especialistas afirmou que os pedaços pareciam ter sido quebrados com uma marreta. Esses sinais sustentaram a hipótese de uma intervenção no local, sem comprovar a identidade de um eventual corpo.
Hugo Ayala, diretor de Cultura da Prefeitura de Itá, disse que desconhece quando os pesquisadores estiveram no cemitério. Ele afirmou que o material é antigo e que a expedição não ocorreu em 2026. Morador antigo da cidade, Ayala contou que ouve desde a infância rumores sobre sepulturas de nazistas: alguns atribuíam uma delas a Hitler, outros a Josef Mengele e, mais recentemente, a Bormann.
Bormann foi oficialmente declarado morto em 1945, mas relatos posteriores alimentaram hipóteses de fuga para a América do Sul. O colaboracionista belga Paul van Aerschodt afirmou, em entrevista ao jornal belga Dernière Heure, que Bormann teria vivido no Paraguai e na Bolívia sob a identidade de religioso. Outra versão, apresentada pelos pesquisadores, situa sua morte em Assunção, em 1959, por câncer no estômago, e o enterro anônimo em Itá. Também há relatos de que teria vivido nas colônias alemãs de Obligado, Bella Vista e Hohenau, em Alto Paraná. Nenhuma dessas versões é confirmada pela busca no cemitério.
O documentário relaciona a possível fuga à Odesa — sigla alemã para Organização dos Antigos Integrantes da SS —, descrita como uma rede que teria ajudado criminosos de guerra a escapar pela Itália, com apoio de setores da Igreja e de industriais alemães. A expedição, por si só, não demonstra a atuação da rede nem confirma que Bormann tenha vivido ou morrido no Paraguai.
A história local sobre Mengele também aparece nesse contexto. Em reportagem de Andrés Colmán Gutiérrez, publicada pelo Última Hora, Reinaldo Becker Dietze entrevistou Alfonz Dierckx, belga e ex-oficial da SS já falecido, que se mudou para Hohenau depois da Segunda Guerra Mundial e disse ter conhecido pessoalmente Josef Mengele. O médico nazista teria vivido por dois a quatro anos, no início da década de 1960, em uma casa que pertenceu a Alban Krug. Seu filho, Eugen Krug, foi entrevistado para a reportagem e recusou-se a falar: disse que já lhe ofereceram milhões de dólares por entrevistas e que a família decidiu nunca abordar o assunto.
