O Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA) convocou para esta segunda-feira (19), às 18h30, uma reunião ampliada do Comitê Político na sede do Diretório partidário. O encontro ocorre em meio à crescente tensão interna após denúncias de supostas irregularidades no processo eleitoral que antecede as eleições internas marcadas para 7 de junho de 2026.
De acordo com a pauta divulgada, o primeiro ponto a ser discutido será justamente o “processo eleitoral para as internas de 7 de junho de 2026”. As críticas concentram-se no Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE) e no esquema de controle técnico das máquinas de votação alugadas para o pleito.
Na véspera, durante coletiva no Senado, lideranças de movimentos internos do PLRA, encabeçadas pelo senador Ever Villalba, alertaram para “graves vulnerabilidades” no sistema eleitoral. Eles afirmam que apoderados e técnicos de setores dissidentes foram excluídos de etapas-chave da auditoria e preparação das urnas eletrônicas. “O processo não cumpriu os requisitos técnicos para uma auditoria transparente”, declarou Villalba, acrescentando que há “todas as possibilidades de fraude” diante da falta de controles independentes.
As reclamações apontam que apenas representantes ligados ao oficialismo partidário participaram das verificações, enquanto a oposição interna ficou de fora. Também questionam que a carga de dados e a preparação dos malotes eleitorais não foram supervisionadas por todos os movimentos, o que, segundo eles, compromete a credibilidade do pleito.
Villalba confirmou que vários movimentos internos decidiram coordenar um esquema paralelo de fiscalização para monitorar os resultados. “Tudo pode acontecer, por isso precisamos de garantias”, afirmou. O senador anunciou ainda a implementação de um sistema próprio de Transmissão de Resultados Eleitorais Preliminares (TREP) para contrastar os dados oficiais. “Nós vamos ter o nosso próprio TREP”, disse.
O legislador também criticou duramente o TSJE pelo que classificou como “defesa corporativa” das máquinas de votação alugadas ao Consórcio Comitia-MSA e questionou a falta de representação plural no órgão eleitoral.
Entre as principais reivindicações que serão levadas ao Diretório Liberal e ao Tribunal Eleitoral Independente (TEI) estão a abertura do chamado “sobre 4” e a realização de uma auditoria integral das urnas eletrônicas. Os setores dissidentes sustentam que as garantias de transparência são fundamentais para evitar futuras impugnações e preservar a legitimidade das internas partidárias.
Paralelamente, o TSJE informou que está realizando as auditorias judiciais dos materiais e do sistema de máquinas de votação, e que o cadastro eleitoral para as internas já está disponível para consulta dos filiados, que podem verificar o local de votação pelo sistema do PLRA.