Crise fiscal persistente reduzirá investimentos no orçamento de 2027

Especialistas projetam que a crise fiscal crônica no Paraguai, marcada por baixa arrecadação e dívida crescente, forçará uma redução drástica nos investimentos públicos no orçamento de 2027.

Crise fiscal persistente reduzirá investimentos no orçamento de 2027
Ilustração gerada por IA.

O Ministério da Economia e Finanças (MEF) está elaborando o Orçamento Geral da Nação (PGN) para 2027 em um cenário de restrições fiscais persistentes, com baixa arrecadação e dívidas atrasadas a fornecedores. Especialistas consultados projetam que a crise fiscal se estenderá pelo próximo ano, dificultando o retorno ao déficit de 1,5% do PIB, meta estabelecida pela lei de responsabilidade fiscal.

Fernando Masi, diretor do Centro de Análisis y Difusión de la Economía Paraguaya (Cadep), avalia que o déficit fiscal real em 2025 foi de 4% do PIB, e não de 2% como divulgado oficialmente. Ele prevê que a consequência para 2027 será uma redução drástica no investimento público, tanto em infraestrutura quanto em gasto social. Pelo lado da receita, Masi não espera aumento significativo, citando a pressão tributária estagnada, as isenções para setores como tabaco e bebidas açucaradas e o acúmulo de dívidas não pagas como problemas estruturais.

O pesquisador Luis Rojas classifica a situação como uma crise fiscal "crônica" e "estrutural", derivada de uma pressão tributária baixa, entre 10% e 11% do PIB. Ele alerta que os recursos continuarão insuficientes para atender demandas sociais e que a dívida pública, que saltou de US$ 3 bilhões em 2012 para US$ 22 bilhões atualmente, seguirá crescendo. Rojas afirma que o principal desafio do governo é aumentar a arrecadação por meio de uma reforma tributária e combater o desperdício e a corrupção, mas vê dificuldades para avanços no ano eleitoral.

Rodrigo Ibarrola, economista do Cadep, evita o termo "crise", mas reconhece um "desequilíbrio" nas finanças públicas. Ele prevê que o orçamento de 2027 terá menor disponibilidade de recursos para novos programas, obrigando o governo a um controle mais rigoroso da execução orçamentária e ao adiamento de investimentos não financiados. Ibarrola também não espera crescimento significativo da arrecadação e ressalta que o contexto eleitoral pode dificultar o controle das despesas consideradas rígidas.

Fontes (1)

Atualizado: 14 de jul. de 2026, 01:30