Deputados acusam controlador de usar 'vazio legal' para não punir instituições que descumprem Lei de Transparência

Parlamentares de oposição no Paraguai criticam o controlador-geral Camilo Benítez, afirmando que ele se escusa em suposta lacuna na Lei 5189/14 para evitar sanções a órgãos que não divulgam salários de funcionários, como as binacionais. Eles apontam seletividade nas fiscalizações e conivência com o governo Cartes/Peña.

Deputados acusam controlador de usar 'vazio legal' para não punir instituições que descumprem Lei de Transparência
Deputados acusam controlador de usar 'vazio legal' para não punir instituições que descumprem Lei de Transparência

Deputados da oposição paraguaia acusam o controlador-geral da República, Camilo Benítez, de usar o argumento de “vazio legal” como pretexto para não sancionar instituições que descumprem a Lei de Transparência (Lei 5189/14). Para Raúl Benítez (independente) e Adrián Darío “Billy” Vaesken (liberal), a proposta de modificar a lei para dar à Controladoria poder expresso de punir é uma manobra que “blanqueia” o descumprimento.

“Camilo não pode se converter em ferramenta de branqueamento para as instituições que não respondem ou não cumprem a Lei de Acesso à Informação Pública”, afirmou Raúl Benítez. Ele lembrou que, quando tramitava o projeto de Lei de Dados Pessoais, que afetava a transparência, o controlador manteve silêncio “cúmplice”. Para o deputado, a Controladoria poderia regulamentar a matéria se houvesse vontade real de fazer cumprir a lei.

Billy Vaesken, por sua vez, citou sua experiência como vereador departamental de Central, quando pedidos de auditoria sobre a gestão do ex-governador Hugo Javier ficaram sem resposta até que a Secretaria Anticorrupção denunciou fraudes em notas fiscais da pandemia de covid-19. “Ele sempre se mostrou tíbio e lento, mas em outros casos é rápido e ágil, tem varas distintas para medir a quem auditar”, criticou.

Vaesken apontou que a Controladoria ignorou pedidos de intervenção na municipalidade de Tomás Romero Pereira, ligada ao pai do ex-senador Hernán Rivas, enquanto agiu contra a administração de Miguel Prieto em Ciudad del Este sem iniciativa dos edis. “É uma simples desculpa. Ele pode fazer uma fiscalização especial imediata. O tempo é o pior inimigo da corrupção”, disse.

O deputado liberal Pedro Gómez defendeu que o Congresso dê à Controladoria as ferramentas necessárias, mas ponderou: “Não me consta que ele tenha impedimentos”. Entre os órgãos que negam informações estão as binacionais, que questionam a aplicação da lei com base em tratados internacionais, sem decisão da Corte Suprema.

Recentemente, reportagens revelaram gastos salariais elevados nas binacionais, com dados encriptados que dificultam a análise.